Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 10/07/2020
Os malefícios da educação domiciliar
A atual gestão do presidente, Jair Messias Bolsonaro, incluiu entre as prioridades dos 100 dias de governo a regulamentação da educação domiciliar no Brasil. Apesar de a proposta visar promover a inovação, bem como o desencadeamento de novos métodos de ensino benéficos ao estudante, tais características destoam da realidade à medida que se verifica tanto a falta do senso de empatia, intimamente ligada ao fator de privação social, quanto à problemática hodierna a respeito da questão em voga do abuso infantil.
Segundo o médico neurologista e psiquiatra, Sigmund Freud, as experiências transcorridas durante a infância influenciam diretamente no comportamento do homem ao longo de toda sua vida. Acerca disso, é pertinente ressaltar o quanto tal ensino domiciliar é prejudicial à formação humana em sociedade, visto que o estudante detém um contato deveras limitado do meio externo. Deste modo, devido esta falta de socialização com a diversidade existente, o senso de empatia do aluno é sujeito a atrofiação, a qual implicaria grave entrave ao pleno desenvolvimento do indivíduo referente ao senso humanístico de pluralidade e aceitação.
Além desses fatores, existe outro aspecto que acentua e expõe explicitamente o que ensino a distância é capaz de provocar indiretamente, o crescimento da taxa de incidência do abuso infantil em território nacional. Conforme já explicitado pelo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, houve um aumento de 83% nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes durante o período entre 2011 e 2017, os quais expõem que a maioria dos casos ocorreu dentro das casas. Assim, se o menor for restrito ao interior de seu lar, dificilmente algum profissional qualificado, que se encontram em ambientes escolares, poderia avaliá-lo e, por conseguinte, acionar os órgãos protetivos, para que se possa tomar providências a respeito.
Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas estruturais a fim de mitigar a necessidade de ensino domiciliar. Primordialmente, o Ministério da Educação e dos Direitos Humanos devem, por meio de verbas públicas, intervirem na realização de campanhas midiáticas, com o intuito de desmistificar os legítimos riscos suscitados pela educação em casa e promover debates, em meios essencialmente escolares, acerca da imensa responsabilidade disposta sobre a temática. Dessa forma, espera-se frear tal questão levantada recentemente sobre a prática do ensino domiciliar no Brasil.