ENEM PPL 2018 - Formas de organização da sociedade para o enfrentamento de problemas econômicos no Brasil

Enviada em 13/06/2020

“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o desafio do enfrentamento dos problemas econômicos no país, que, atualmente, possui grande desigualdade econômica e alto índice de pobreza, sendo esse um estorvo que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela indiferença social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas de incentivo à distribuição de capital sobre o acúmulo de grandes fortunas, tratando de forma desproporcional a cobrança de impostos e sobrecarregando as classes de menor poder aquisitivo. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito à igualdade para população. De certo, isso se demonstra na reportagem publicada pelo jornal Estadão, em 2019, que informa que proporcionalmente, os mais ricos pagam menos impostos no Brasil.       Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que, muitas vezes, devido ao senso comum, não entende os benefícios das organizações públicas de ajuda econômica mútua, preferindo apoiar grandes corporações multinacionais em detrimento às cooperativas e associações de pequenos produtores. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser observado, no reforço à campanhas de incentivo ao consumo de pequenos produtores, que visam mudar o comportamento do cidadão e gerar impacto na circulação de dinheiro na economia local.

Diante desse cenário, é mister que o Estado promova o aumento ao combate à desigualdade econômica no país, por meio de uma reforma tributária justa que cobre impostos proporcionais à concentração de renda, a fim de equilibrar as oportunidades para a sociedade, sendo isso necessário para redefinir as formas de organização econômicas no Brasil. Além disso, as instituições educacionais devem promover o debate sobre o apoio aos pequenos produtores nacionais através de campanhas de conscientização veiculadas nos principais meios de comunicação, como TV e internet, para que, gradativamente , esse problema deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Hannah Arendt.