ENEM PPL 2018 - Formas de organização da sociedade para o enfrentamento de problemas econômicos no Brasil

Enviada em 17/10/2019

Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto dos diversos grupos e instituições dos quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca das formas de organização da sociedade para o enfrentamento dos problemas econômicos no Brasil, é nítida a influência de certos atores sociais sobre essa construção. Torna-se pontual, nesse contexto, não apenas questionar como empresas agem de modo a atenuar as liberdades individuais na economia, mas também analisar seus impactos no organismo social.

A partir dessa problematização, cabe compreender como o interesse industrial na falta de apoio às economias solidárias catalisa esse problema. Constata-se, então, a ótica de Bourdieu, na medida em que as indústrias e as instituições financeiras atuam influenciando as peculiaridades sociais. Vale salientar, assim, o quão vantajoso se torna às empresas a repressão e o descaso às práticas solidárias econômicas, pois, no surgimento de uma outra base financeira mais saudável ao povo, há uma fuga do sistema adotado por essas empresas que detêm o mercado e, por conseguinte, a fuga de capital e a perda de influência sobre o meio, nesse sentido. Nessa configuração, vê-se a necessidade de uma maior fiscalização e regulamentação da influência de grandes empresas sobre as menores, de modo a favorecer as alternativas econômicas propostas pelos indivíduos.

Paralelamente à questão institucional, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate ao problema. Observa-se, assim, o viés de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem a integração de economias alternativas, como as atreladas aos povos indígenas, por exemplo, como fortalecedora não só das cultura nacional como um todo, pelo contato entre povos de costumes e visões diferentes, mas também da economia das partes envolvidas. Por conseguinte, verifica-se a cegueira moral, na analogia do pensador, uma vez que esse potencial produtivo é marginalizado em razão da sua falta de apoio e de reconhecimento. Configura-se, pois, como determinante, a reestipulação dos valores sociais para o melhor aproveitamento das estruturas produtivas solidárias no Brasil.

Entende-se, diante do exposto, a importância de medidas serem implantadas para a contenção do quadro atual. A princípio, é fundamental que a Receita Federa, em apoio com órgãos como o Senai, fomente o desenvolvimento de novas práticas econômicas solidárias por meio não só de incentivos fiscais, mas também pelo assistencialismo e pelo acompanhamento destas, favorecendo o enfrentamento de problemas econômicos pela sociedade em âmbito nacional. Ademais, cabe aos Ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social a criação de campanhas publicitárias, em televisão aberta e rádio, que estimulem a integração econômica entre culturas diferentes pela apresentação das vantagens dessa prática, favorecendo-a e conscientizando o povo acerta desta. Com essas iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.