ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 09/09/2024
Por meio de seu livro “Brasil, país do futuro” - publicado no último século - o escritor austríaco Stefan Zweig manifestou sua confiança de que a nação cresceria e se desenvolveria exponencialmente. No entanto, o cenário nacional evidencia uma situação inversa, uma vez que desperdício de alimentos não é característica de um país do futuro. Nesse contexto, deve-se analisar como a ineficiência estatal e os interesses mercadológicos impulsionam tal problemática, a fim de solucioná-la.
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que a ineficiência estatal cumpre um pa-
pel importante na manutenção do desperdício de alimentos no Brasil. Essa ideia é corroborada pelo pensamento do sociólogo Durkheim, que afirmou ser função do estado gerenciar as questões relacionadas ao bem-estar da coletividade. Isso é
ausente na realidade brasileira, uma vez que apesar de 3,4 milhões de brasileiros
sofrerem de insegurança alimentar - de acordo com dados do Banco de Alimentos - nulos são os esforços do Estado para impedir que o desperdício ocorra, como ne-gociar com os produtores a compra dos alimentos que serão descartados. Assim, enquanto o estado negligenciar suas responsabilidades, o problema persistirá.
Além disso, destaca-se o papel crucial dos interesses mercadológicos na perpe-
tuação do problema. De acordo com o filósofo Bauman, os interesses da sociedade estão sendo colonizados por interesses financeiros. Tal ideia é refletida na realida-de nacional, pois muitos alimentos são rejeitados por distribuidores devido a pres-são estética, apesar de perfeitamente comestíveis, ocasionando desperdício que ocorre por interesses mercadológicos que julgam que os alimentos não serão se-dutores o suficiente para serem comprados. Dessa forma, enquanto o problema persistir, o desperdício de alimentos continuará sendo realidade no país.
Portanto, torna-se imprescindível agir com alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil. Sendo assim, cabe ao Estado negociar os ali-
mentos que seriam descartados, apesar de comestíveis, com os produtores rurais, mediante a criação do Projeto Intensivo contra a Fome. Tal ação terá como fina-lidade distribuir esses alimentos para a população pobre do Brasil gratuitamente, reduzindo a fome e o desperdício. Paralelamente, é preciso intervir sobre
os interesses mercadológicos presentes no problema.