ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 22/10/2021

De acordo com a Organização das Nações Unidas , no ano de 2019, 800 milhões de pessoas passavam fome no mundo, com um certo grau de inanição. Entretanto, parece que esse cenário não impacta significamente nas mudanças brasileiras, tendo em vista o montante do desperdício alimentar no país — um problema alarmante que contribui para a desnutrição não só no mundo, mas também no próprio território. Assim, é possível afirmar que não apenas a falta de estrutura adequada entre o campo e o mercado, mas também a falta de consciência populacional frente às estatísticas de perdas fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.

Inicialmente, é necessário dizer que o problema da fome no Brasil não é pela falta de comida, mas sim na estrutura da sua distribuição e armazenamento. Por exemplo, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia, mais de quarenta porcento da produção rural total de alimentos é perdida, somando-se as etapas de estoque, transporte, descarte e exposição em mercados. A priori, é inadmissível que tal padrão de desperdício se extenda — afinal, enquanto pessoas morrem de fome no mundo, a inadimplência governamental para contornar as perdas se faz presente.

Ademais, outro tópico importante tange à questão da carência de informação frente ao montante de alimento sendo jogado fora, o qual contrasta com a situação dietética de um significativo número de pessoas no país. De acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania Alimentar, o Brasil possui aproximadamente 27 milhões de pessoas que convivem semanalmente com a fome, um dado que parece ser ignorado pela sociedade que não se prontifica para mudar o panorama. A partir desse aspecto, é revoltante que não haja um criticismo social frente aos números do desperdício na agricultura brasileira — aliás, o acervo de comida desperdiçado poderia ser conveniente na mesa de milhões de pessoas.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições do agronegócio, promover a redução das perdas alimentares por intermédio não apenas da refrigeração em armazenamentos e tranportes para diminuir a taxa de decomposição microbiológica, mas também do incentivo aos produtos dissecados, os quais possuem uma longevidade bem maior se comparado aos naturais. Além disso, cabe também ao Governo Federal, em parceria com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por meio de palestras educativas que discorram acerca do desperdício de comida mundial e brasileiro, com entrevistas reais de pessoas em condições alimentares inumanas. Espera-se, com tudo isso, uma atenuação do desperdício e, não menos importante, um maior posicionamento populacional  para com o mercado da agropecuária.