ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 20/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico de maior importância no país, prevê em seu artigo 6º, o direito á alimentação como inerente à todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem sido posta em prática quando se observa que milhares de pessoas se encontram em situação de fome, reprimindo, desse modo, a universalização desse direito crucial. Diante dessa perspectiva, faz-se urgente a análise dos fatores que promovem esse cenário.

Primordialmente, cabe apontar o desperdício realizado nas fases iniciais do transporte de alimentos como principal agravador do problema no Brasil. Nesse sentido, embora existam restaurantes comunitários que reaproveitam o máximo de alimentos que, à princípio, seriam descartados, centenas de mantimentos ainda são desperdiçados diariamente nos centros de abastecimento, apenas por apresentarem imperfeições estéticas que não alteram seu valor nutricional. Segundo uma pesquisa realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), 40 mil toneladas de alimentos são rejeitados no Brasil diariamente, o que seria suficiente para alimentar cerca de 19 milhões de pessoas. Assim, torna-se notória as consequências do desperdício causado pela indústria alimentícia.

Ademais, faz-se necessário ressaltar a má influência midiática como impulsionador do cenário do desperdício individual de suprimentos. Segundo o sociólogo francês, Pierre Bourdieu ‘‘O que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão’’. Assim, é significativo apontar o silenciamento da realidade vivida por pessoas que não possuem acesso à comida causado pela mídia, visto que tal ato proporciona uma visão distorcida do problema e contribui para a alienação do corpo social a respeito de situação vivida por milhares de indivíduos. Logo, é inadmissível que esse cenário continua a perdurar.

Depreende-se, portanto, a urgência de combater esses obstáculos. Para isso, é indispensável que o Ministério do Desenvolvimento Social, por meio de investimentos financeiros, aplique políticas públicas - nas quais os supermercados e centros de distribuição de alimentos devem realizar doações de alimentos consumíveis, que inicialmente seriam descartados, para restaurantes populares - a fim de assegurar que mais pessoas tenham acesso à refeições de baixo custo, impedindo que o ciclo do desperdício se perpetue. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma nação mais igualitária, permeada pela efetivação dos direitos elencados pela Constituição Federal.