ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 03/12/2020

Segundo a Constituição Federal de 1988, documento mor da República do Brasil, é garantido o direito pleno à saúde, alimentação e bem-estar do cidadão. Todavia, a realidade é, infelizmente, diferente. Com falta e desperdício de insumos em variados locais do mundo, a vida torna-se extremamente difícil para uma específica parcela da população, em particular e naturalmente a mais pobre. As principais causas para o desperdício de alimentos no Brasil é a a ausência de políticas educacionais que visem o ensino das boas práticas de consumo alimentar, bem como a falta de distruibuição correta dos alimentos dentro do território nacional.

Em primeiro lugar, é preciso debater como Sir Arthur Lewis, economista britânico, ressalta a educação não como um desperdício, mas um investimento com retorno garantido. Diante dessa ótica, é possível visualizar como a educação tem um papel importante na diminuição do desperdício de comida no país. Segundo John Locke, filósofo empirista inglês, cada indivíduo é uma folha em branco que, ao decorrer do tempo e do surgimento de novas experiências, é moldado e transformado de acordo com esses acontecimentos. Dessa forma, as experiências afetam o indivíduo, de forma positiva ou negativa, conforme o que vive. Racionalmente, pode-se criar um elo entre uma educação voltada para melhores práticas alimentares e diminuição da taxa de consumíveis jogada no lixo. Afinal, segundo Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele.

Ademais, a partir de dados fornecidos pelo O Globo, 50% do descarte inadequado de comida que ocorre no Brasil acontece no processo de manuseio e transporte dos mesmos, sendo a etapa que mais necessita de adaptações para a maior efetividade do ciclo. Esse transporte ocorre majoritariamente por via terreste, feito principalmente nas malhas rodoviárias priorizadas e construídas no governo de Juscelino Kubistchek. Porém, a ampla logística envolvida nesse tipo de locomoção, entre outros motivos, é um dos fatores que impede o transporte por chão de garantir a todos os cantos do Brasil o acesso democrático aos alimentos. Como consequência, há uma alta taxa de desperdício nutricional e, conforme o Banco de Alimentos, 1,7% dos brasileiros estão em situação de fragilidade alimentar.

Por fim, deve-se criar medidas de intervenção para a problemática retratada. Urge que o Ministério da Educação implemente aulas no ensino médio realizadas por professores de nutrição. Essas aulas teriam como objetivo a compreensão do que é uma alimentação adequada, assim como a manipulação da comida. Além disso, o Ministério dos Transportes deve criar um projeto de lei a ser entregue na Câmara dos Deputados que consista na construção e aperfeioçoamento de outros meios de transporte, melhorando assim o desperdício alimentar. Dessa forma, podemos combater essa medida no Brasil.