ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 02/12/2020
A Constituição Federal de 1988 tem como um de seus pilares o direito à alimentação digna para todos, tendo em vista a importância dessa concessão para o pleno desenvolvimento de qualquer indivíduo. Nesse sentido, uma vez que, na contemporaneidade, o desperdício de toneladas de alimentos por ano é uma realidade no Brasil, o Estado falha em oferecer condições para a resolução desse problema. Dessa forma, o impasse está diretamente relacionado à falta de infraestrutura logística e à ausência de consciência por parte da sociedade.
Em primeira análise, é indubitável o papel da carência de uma boa infraestrutura na perpetuação desse problema. Segundo dados da Empresa Brasileira de Agropecuária (EMBRAPA), a maior parte do desperdício de alimentos ocorre durante o transporte e armazenamento dos alimentos nos centros de distribuição. Sob tal ótica, pode-se afirmar que uma melhor cadeia logística não é uma prioridade do Estado brasileiro, tendo em vista a falta de infraestrutura nos grandes centros de distribuição e nas estradas por onde a maioria dos alimentos são transportados, potencializando as estatísticas sobre o desperdício no pais.
Em segunda análise, é válido salientar a falta de consciência por parte da sociedade. Outro grande fator contribuinte para o problema do desperdício ocorre nos locais de venda, onde grande parte dos consumidores seleciona parte das frutas e vegetais pela aparência, apesar de estarem próprios para o consumo. Seguindo essa linha de pensamento, pode-se afirmar que esses alimentos rejeitados pelos consumidores acabam sendo descartados pelos estabelecimentos, revelando a existência de uma lógica nociva de consumo, em um país com cerca de 3 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar segundo a ONU.
Portanto, é fundamental que o Estado tome providências para combater essa problemática. Para tanto, urge que o Ministério da Infraestrutura em parceria com a Embrapa, por meio de verbas governamentais, melhore as condições das estradas e centros de distribuição de alimentos, onde a maioria do desperdício acontece, com o objetivo de reduzir drasticamente essa estatística no país. Aliado a isso, o Ministério da Agricultura, por meio de parcerias público-privadas, deveria promover a doação dos alimentos próprios para consumo que são rejeitados pelos consumidores, objetivando o fim do seu descarte e o apoio para famílias carentes. Só assim, essa importante conquista da Carta Magna de 1988, o direito à alimentação, será cumprida, contribuindo para uma sociedade mais justa para todos.