ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor

Enviada em 04/08/2021

Segundo o filósofo renascentista Francis Bacon, o saber é uma forma de poder. Partindo dessa premissa, é possível destacar o papel do professor como agente construtor e difusor de saberes. Função essa que deveria ser exaltada e valorizada em uma sociedade. No entanto, o que se percebe na atualidade é um crescente desprestígio, fomentado pelas baixas remunerações, condições degradantes de trabalho e baixa qualificação profissional. Tal fato, acarreta uma série de consequências prejudiciais na formação dos jovens, pois a educação que deveria empoderá-los e emancipá-los está corroída  em seus alicerces pelo descaso governamental.

É bem verdade, que a profissão já viveu momentos de auge e prestígio social. Pois, um professor na família significava honra e a profissão inspirava respeito. Com o crescimento do acesso às escolas, e consequentemente, o aumento de alunos em sala, o exercício da profissão tornou-se mais desafiador, visto que a diversidade sociocultural e as limitações estruturais do sistema educacional, sobrecarregam o professor, que agora não apenas tem a função de repassar o conhecimento, como também precisa acompanhar os avanços tecnológicos, se submeter a cargas horárias cada vez maiores, sobrando assim, pouco tempo para investir na sua própria formação intelectual, o que reflete em uma  formação superficial dos jovens e no crescimento do analfabetismo funcional no país.

Outro aspecto que vale ser salientado, é a diminuição do interesse dos jovens na escolha das licenciaturas, devido a baixas perspectivas salarias e pela dificuladade de ascenção profissional. Outro fator preocupante é a “fuga de cérebros” , que dificulta a produção e a disseminação do conhecimento produzido no país, uma vez que os profissionais mais qualificados preferem investir em carreiras no exterior, onde são mais valorizados, em vez de atuar no desenvolvimento de suas comunidades. Sendo assim, é evidente que a valorização desse profissional é essencial para o crescimento crítico e social do país.

Portanto, cabe ao Governo melhorar as condições de trabalho do professor, oferecendo incentivos financeiros aos que investirem na formação continuada, aumentando o piso salarial da classe e proporcionando cursos de capacitação gratuitos e periódicos, a fim de nivelar a qualidade do ensino ofertado nas escolas públicas, para que a educação seja instrumento de igualdade e para que os profissionais qualificados tenham prazer em atuar no seu país. Além disso, por meio de ações desenvolvidas pelo Ministério da Educação, ampliar a carga prática nos cursos de licenciatura, perimitindo a melhor adaptação do egresso à realidade escolar. Só assim, valorizando o agente causador de mudança será possível reverter a corrosão do sistema educacional.