ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 25/09/2021
Na década de 1960, com a aceleração da industrialização no Brasil, o sistema de ensino foi moldado aos parâmetros do Tecnicismo para que pudesse atender às demandas do desenvolvimento econômico, iniciando o processo de desvalorização do professor. Sob esse enfoque, o aumento na oferta de vagas nos níveis de ensino não considerou a insuficiência de docentes capacitados, além de não garantir os meios físicos necessários para a educação adequada, bem como contou com a inserção maciça das mulheres na profissão, por conta de baixos salários e uma conjuntura patriarcal.
Primordialmente, a massificação do ensino gerou uma reação em cadeia, na qual foram aceitos profissionais com formação mínima, além da ideologia de repetição mecânica dos conteúdos. Dessa forma, com baixa remuneração e insuficiente qualificação, a grande maioria dos professores precisam se desdobrar em mais de um emprego ou se sobrecarregarem no número de turmas ministradas para completarem suas rendas. Sendo assim, o profissional da educação deixa de prosseguir com sua formação no período de pós-graduação, além de não ter tempo para se aprimorar nas aulas dadas. Tudo isso desgasta a função do educador e vai contra a Pedagogia Libertadora de Paulo Freire, que defende a autonomia do educador e do educando perante a humanização das suas trajetórias e realidades, não tornando-os meros reprodutores de uma grade curricular pré-estabelecida.
Outrossim, a luta histórica das mulheres pelo acesso ao trabalho remunerado e a sua constante desigualdade salarial perante os homens fez com que elas aceitassem lecionar por salários baixíssimos, o que foi conveniente aos orçamentos governamentais pífios investidos nessa área, já que havia uma grande demanda dessa força de trabalho. Por isso, a visão machista de que a figura feminina é a ideal para cuidar de crianças contribuiu para a desvalorização do trabalho exercido pelas profissionais, colocando o magistério como uma extensão do trabalho doméstico e causando a evasão dos professores para cargos mais lucrativos. Dessa maneira, o ciclo vicioso de baixo retorno financeiro, ambientes precários e a marginalização da profissão se repete.
Portanto, diante do exposto, cabe ao Ministério da Educação a implantação de uma reforma educacional baseada na remuneração compatível ao nível de formação acadêmica dos professores e garantir subsídios para os docentes prosseguirem com os estudos após a graduação, por meio de bolsas para profissionais de baixa renda familiar. Além disso, é importante romper com a legislação que permite que trabalhadores de outras áreas cursem uma formação pedagógica de apenas 540 horas e possam lecionar. Logo, a partir do investimento nos próprios educadores e em seus ambientes de trabalho, sob uma ótica freiriana, pode-se superar o desafio da desvalorização do professor.