ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
A arte sempre foi um instrumento de expressão e resistência, e, nas periferias brasileiras, ela emerge como voz de identidade e denúncia social. No entanto, a arte produzida nesses territórios enfrenta grandes desafios para alcançar visibilidade e reconhecimento no cenário cultural nacional. Essa desvalorização decorre de preconceitos históricos e da falta de políticas públicas que promovam a democratização do acesso e da produção cultural.
Um dos principais obstáculos à valorização da arte periférica é o preconceito estrutural. Historicamente, o Brasil consolidou uma hierarquia cultural que privilegia produções associadas às elites urbanas. Segundo o Instituto Data Favela (2022), 78% dos artistas periféricos afirmam não ter acesso a editais ou patrocínios culturais. Essa exclusão institucional reflete a lógica descrita por Pierre Bourdieu, em sua teoria do “capital cultural”, segundo a qual o valor artístico é definido por grupos detentores de prestígio social. Assim, a arte da periferia, apesar de inovadora e crítica, é frequentemente marginalizada e invisibilizada.
Além disso, a escassez de investimento público e a falta de espaços de difusão limitam o alcance dessas manifestações culturais. Projetos como o “Slam Resistência”, realizado na cidade de São Paulo, e o grupo de rap “Racionais MC’s” exemplificam o potencial transformador da arte periférica, que denuncia desigualdades e fortalece a autoestima coletiva. Entretanto, segundo dados do Ipea (2023), apenas 2% dos recursos federais destinados à cultura chegam a comunidades periféricas. Essa disparidade compromete o desenvolvimento de novos artistas e restringe o acesso da população a expressões culturais diversas.
Portanto, para que a arte de periferia seja devidamente valorizada, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da Cultura, amplie editais exclusivos para artistas periféricos, garanta cotas regionais de fomento e promova parcerias com escolas e universidades para divulgar essas produções. Ademais, a mídia deve atuar como agente de inclusão, assegurando espaço equitativo para manifestações culturais de todas as origens. Dessa forma, será possível construir um cenário cultural mais democrático, em que a arte periférica seja reconhecida como expressão legítima da pluralidade brasileira.