ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 17/10/2025

A arte periférica, expressão legítima da diversidade brasileira, consolidou-se como forma de resistência e transformação social. Desde o hip-hop, que ganhou força nas periferias nos anos 1980, artistas de origem popular vêm desafiando estigmas e revelando realidades invisibilizadas. Entretanto, a falta de reconhecimento institucional e o preconceito social ainda dificultam sua valorização no cenário cultural. Nesse sentido, é necessário discutir a ausência de políticas públicas voltadas à arte periférica e a persistência de estigmas que marginalizam seus artistas.

Em primeiro lugar, a carência de políticas culturais específicas limita o acesso de artistas periféricos a recursos e espaços de exibição. De acordo com o “Mapa da Desigualdade” (Rede Nossa São Paulo, 2023), áreas centrais recebem até dez vezes mais investimentos culturais que regiões periféricas — evidência de um desequilíbrio estrutural. Essa negligência estatal restringe oportunidades e enfraquece a representatividade cultural do país. Mesmo assim, iniciativas como o “Slam das Minas” mostram que a arte das bordas resiste, revelando talento e engajamento social mesmo sem apoio governamental.

Além disso, o preconceito social ainda deslegitima manifestações artísticas populares. Como afirma Lélia Gonzalez, o Brasil carrega um “racismo estrutural e epistemicídio cultural” que desvaloriza expressões de origem negra e periférica. Essa visão elitista faz com que gêneros como o funk e o rap sejam vistos como inferiores, enquanto a arte erudita é exaltada. Contudo, artistas como Emicida e Linn da Quebrada têm rompido essa lógica, mostrando que a periferia também produz arte de qualidade e reflexão crítica.

Dessa forma, o Ministério da Cultura, em parceria com governos locais e coletivos culturais, deve criar editais e circuitos de fomento voltados à arte periférica, por meio de incentivos financeiros, capacitação técnica e divulgação nacional, a fim de promover reconhecimento, inclusão e diversidade cultural. Assim, será possível construir um cenário artístico verdadeiramente representativo e igualitário.