ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
Segundo o filósofo Friedrich Nietzsche, “a arte existe para que a realidade não nos destrua”. No Brasil, a produção artística oriunda das periferias representa uma poderosa forma de resistência e expressão social, refletindo as vivências e desafios das classes populares. Contudo, apesar de sua relevância cultural, a arte periférica ainda enfrenta barreiras estruturais e preconceituosas que dificultam seu reconhecimento no cenário nacional.
De acordo com dados do IBGE (2019), apenas 12% dos municípios brasileiros possuem teatros e 10% contam com salas de cinema, revelando a concentração dos equipamentos culturais em grandes centros urbanos. Essa disparidade reduz as oportunidades para artistas periféricos exporem suas produções, uma vez que a maioria desses espaços está distante de suas comunidades. Como consequência, muitas manifestações culturais populares, como o slam, o rap e o grafite, são marginalizadas, sendo vistas como expressões inferiores em comparação à arte tradicional. Assim, a ausência de políticas culturais inclusivas perpetua a invisibilidade da produção periférica.
Além disso, levantamento do IBGE (2022) aponta que os trabalhadores da cultura possuem, em média, rendimentos inferiores aos de outros setores formais da economia, e que artistas independentes enfrentam maior instabilidade financeira. No caso dos criadores periféricos, esse cenário é agravado pela falta de incentivo e pela dificuldade de acesso a editais públicos. Essa realidade demonstra que a desigualdade econômica limita o desenvolvimento artístico e impede que as produções das periferias alcancem o reconhecimento que merecem, restringindo a pluralidade cultural brasileira.
Diante desse contexto, o Ministério da Cultura deve ampliar editais específicos voltados a artistas periféricos, com inscrições simplificadas realizadas em plataformas digitais e apoio técnico de centros culturais regionais. Tal iniciativa, ao garantir oportunidades equitativas e fortalecer a representatividade dessas produções, permitirá que a arte de periferia ganhe visibilidade e reconhecimento.
Com isso, será possível promover a diversidade cultural, valorizar as vozes das comunidades e consolidar um cenário artístico verdadeiramente democrático