ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 30/03/2021

Consoante Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico” é composta por partes que interagem mutuamente. Assim, para que essa entidade se mantenha harmônica, é necessário que os direitos dos cidadãos sejam assegurados. Nesse viés, uma vez que a saúde mental é medular à adequada inserção dos indivíduos na sociedade, a imperícia estatal no apoio ao doente mental subverte essa conjuntura. De certo, a falta de conhecimento popular acerca desse tema corrobora com a perenização de uma realidade na qual o doente mental é acometido por mecanismos sociais discriminatórios.

Precipuamente, a displicência governamental no amparo ao portador de doenças psicológicas tende a agravar essa condição. Conforme o artigo 6 da Carta Magna de 1988, é incumbência do Estado assegurar o acesso dos brasileiros à saúde. Conquanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, em 2017, mais de 5% da população do Brasil sofria de depressão. Dado o exposto, fica evidenciada a imperícia da máquina pública no cumprimento das suas atribuições. Nesse cenário, nota-se a necessidade da dissolução dessa conjuntura.

Faz-se mister, ainda, salientar o óbice na propagação de conhecimento acerca desse tema como impulsionador do problema. Prova disso é que, segundo o escritor americano John Nasbitt, “a nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas o conhecimento nas mãos de muitos”. Partindo desse pressuposto, percebe-se a importância da educação da população brasileira a respeito das patologias psíquicas para a supressão do preconceito contra os portadores desses males. Sob tal ótica, a carência da disseminação de ideias acerca desse tema em meio à sociedade brasileira ultraja o que, segundo o iluminista John Locke, são direitos inalienáveis dos homens, a liberdade e a vida.       Portanto, é fulcral uma tomada de medidas que solucionem esse impasse. Assim, compactuando com o economista francês Robert Turgot, segundo o qual o princípio da educação é pregar com o exemplo, o Ministério da Educação deve promover nas escolas, feiras com profissionais como psicólogos e psiquiatras. Destarte, pode-se incitar, desde a educação básica, a propagação de conhecimeto sobre as doenças psicossomáticas, promobendo o respeito ao doente mental. Dessa maneira é possível propiciar que a sociedade, de fato, funcione como o modelo de Durkheim.