ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 25/03/2021
No livro “submerso” o personagem tem depressão e é estimulado a tratar a doença em um acampamento com outros jovens, também pacientes da saúde mental. Todavia, a narrativa destoa da realidade brasileira, que conta com o maior número de casos de depressão da América Latina. Nesse sentido, pode-se observar que as doenças mentais são tratadas historicamente com preconceito e aumentaram ainda mais no século XXI, marcado pela busca excessiva da produtividade.
Primeiramente, vale destacar que antes do desenvolvimento da psicanálise por Freud, os pacientes da saúde mental eram apelidados de “loucos” e recebiam tratamentos desumanos em hospícios. Dessa forma, os estudos de Freud sobre a mente humana foram essenciais para a humanização dos tratamentos, visto que o psicanalista acreditava que a cura seria alcançada pela superação de traumas passados e pela liberação de recalques armazenados. Contudo, mesmo com a superação dos tratamentos agressivos os pacientes da saúde mental ainda convivem com o preconceito.
Em segundo plano, sabe-se que atualmente 322 milhões de pessoas vivem com depressão em todo o mundo e que esse número só aumenta, motivado pela era da produtividade. Nesse contexto, o livro “Sociedade do cansaço” relata as consequências geradas pela busca excessiva pela produtividade, disseminada nas redes sociais, que ocasiona inicialmente o sentimento de frustração, mas que pode levar ao desenvolvimento de diversas doenças mentais. Ou seja, a procura pelo rendimento imediato, descrito por Bauman em “A Modernidade Líquida”, é insustentável, dado que esses resultados não são instantâneos.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV) devem criar desenhos educativos que descrevem como cuidar de sua saúde mental, contando inclusive com tradução para a língua brasileira de sinais (LIBRAS). Essas animações devem ser acessíveis para todos os públicos e serão divulgadas por meio dos canais abertos de televisão. Desse modo, será possível minimizar o estigma relacionado às doenças mentais no Brasil e melhorar a saúde mental da população.