ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 08/08/2022
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante no país, prevê em seu artigo 6°, o direito a cultura como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal teoria não tem sido colocada em prática, visto que o acesso ao cinema não tem sido viabilizado para grande parcela da população brasileira. Isso ocorre tanto pela má distribuição geográfica das salas de cinema quanto pela base educacional lacunar.
A princípio, vale analisar como a expansão dos cinemas de forma concentrada tem causado a exclusão de populações inteiras do universo do cinema. Segundo Hannah Arendt, a essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos. Nesse sentido, percebe-se que o crescimento do número de cinemas privilegiou áreas de renda mais alta das grandes cidades e, assim, inviabilizou o acesso para parte da população brasileira, como as regiões Norte e Nordeste, periferias urbanas, cidades pequenas e médias do interior. Tal fato pode ser percebido ao analisar-se dados do Governo, onde consta que apenas 17% da população brasileira frequenta o cinema.
Além disso, percebe-se que muitos indivíduos ainda se encontram alienados. De acordo com Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são as suas origens e as condições de que depende. Sendo assim, percebe-se uma lacuna na educação dos cidadãos brasileiros, uma vez que a privação a direitos básicos tem sido negligenciada e naturalizada. Essa situação ocorre porque, infelizmente, parte da sociedade desconhece a importância da cultura para o desenvolvimento intelectual e, por isso, não há movimentação para mudar essa realidade.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de garantir o acesso ao cinema para todos no Brasil. Por isso, cabe ao Governo, em parceria com empresas privadas, promover a criação de salas de cinema de acesso gratuito por meio da arrecadação de impostos e da associação privada, para que assim as pessoas tenham pleno acesso a um dos direitos básicos previsto na Constituição Federal e, assim, se tornem críticos e socializados. Dessa maneira, um maior número de brasileiros acessará, efetivamente, a condição de cidadão.