ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 17/02/2022

Segundo o filósofo Jean Jacques Rosseau, as desigualdades entre os homens surgem a partir da noção de propriedade privada e da necessidade de subjugar o próximo. Contextualizando com o Brasil contemporâneo, nota-se um quadro de desequilibrio social e econômico quando é observada a questão da democratização do cinema. Nesse sentido, é preciso analisar a omissão governamental em relação a essa temática, que também é agravada pelo cenário de segregação espacial e social, agravando ainda mais esse cenário de precariedade.

Nessa perspectiva, vale ressaltar que as estruturas públicas falham em garantir o acesso à cultura para todos. Essa conjuntura, quando analisada pelo filósofo John Locke, configura um atentado as regras do contrato social, afinal, não o cumprimento total de deveres por parte do Estado, prejudicando a formação cultural e social dos indivíduos, gerando alienação e infelicidade, pois o cidadão acabando vivendo apenas para se alimentar e pagar contas, sem acesso de momentos de lazer.

Além disso, quando observamos a organização espacial do Brasil, notamos o fato de que as salas de cinema estão concentradas nas capitais e nas grandes cidades, dificultando o acesso da população interiorana a esse tipo de atividade. Esse desequilíbrio ocorre principalmente pela má qualidade de infraestrutura urbana em pequenos centros, além da baixa receita obtida pelos exibidores da sétima arte, que não recebem incentivos do governo e sofrem altas taxas e burocracias.

Infere-se que uma análise aprofundada das ações públicas seja feita, com o obejtivo de reverter esse quadro desfaforável. Portanto, cabe ao governo federal, em parcerias com a iniciativa privada, fundamentadas por incentivos fiscais e subsídios, investir na construção e manutenção de salas de cinem longe de grandes centros. Essas ações devem priorizar o lazer e a formação cultural dos cidadãos. Dessa maneira, o contrato social de Locke seria cumprido de forma justa.