ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 15/02/2022
Conforme a Constituição Federal de 1988, o Estado deve garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acessos às fontes da cultura nacional, apoiar e incentivar a valorização culturais. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que a Constituição Federal prega, uma vez que a democratização do acesso ao cinema no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização desse direito. Nessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
Diante desse cenário, a falta de investimento na “sétima arte” é um fator determinante para a persistência desse empecilho. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2020, apenas 10% das cidades nacionais têm cinema. Então, é notório que foram privilegiadas as áreas com maior poder aquisitivo das grandes cidades devido à urbanização acelerada que o país sofreu, por consequência, tal atitude estatal potencializa ainda mais a desigualdade regional que habita o território. Dessa forma, faz-se mister a reformulação dessa postura governamental de forma urgente.
Ademais, é válido destacar o encarecimento dos ingressos do cinema como perpetuador do impasse. Segundo o sociólogo brasileiro Herbert José de Sousa, o desenvolvimento humano só será efetivado quando a sociedade afirmar 5 princípios fundamentais: igualdade, diversidade, participação, solidariedade e liberdade. No entanto, o que se verifica, na realidade da população atual, é o oposto abordado pelo estudioso, pois não é possível encontrar os 5 preceitos fundamentais em um país que os cidadãos são privados desse lazer devido ao baixo poder aquisitivo que a maioria apresenta.
Em suma, cabe ao Ministério da Educação (responsável pela administração educacional do território) aliado às escolas públicas promoverem a “semana do cinema”, um projeto que possibilita o barateamento dos ingressos para filmes nacionais para os alunos de baixa renda, por meio de uma parceria público-privada com as empresas cinematográficas, com o objetivo de diminuir a desigualdade cultural entre as regiões mais pobres e trazer mais visibilidade para essa arte entre os indivíduos, sendo esse o primeiro passo para assegurar um futuro melhor.