ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 19/11/2021

“A vida necessita de ilusões… então, por isso, necessitamos de arte a cada momento.” Segundo Nietzsche, a arte tem papel vital na rotina do cidadão. Na sociedade brasileira, no entanto, há uma exiguidade de reconhecimento de tal vitalidade, sobretudo na inclusão dos diferentes extratos populacionais à famigerada sétima arte: o cinema. Esse quadro delitivo se deve à negligência da sociedade civil acerca da importância psicossocial do cinema, assim também como a escassez de recursos direcionados a democratização do cinema por parte do poder público.

De fato, existe um gradiente de oportunidade ao acesso cinematográfico entre as diferentes camadas sociais. Prova disso, é que a concentração de salas de exibição estão focadas nas regiões mais ricas do país. Tal fato tem intrínseco relacionamento com a ignorância direcionada à demanda humana de suprimento cultural. Singularmente, a cultura cinematográfica faz-se especialmente necessária ao povo devido ao fato de ser uma arte com estreita relação as aspirações oníricas do homem.

Ademais, há uma displicência flagrante por parte do Estado de suprir as carências dos cidadãos de maneira holística. Uma vez que direciona as verbas somente as privações de ordem imediata, assim desamparando os que são de ordem transcendental. É papel do Estado primar pelas artes que, segundo Nietzsche dão sentido à vida, acima de tudo cinema que é a de maior alcance.

De todo esse contexto, infere-se como mandatório uma intervenção governamental, junto da ANCINE (Agência Nacional do Cinema) como órgão publicitário, na sociedade democrática de direito – que deve incluir o direito de acesso ao cinema – por meio de uma reorganização das prioridades orçamentárias, visando investimentos na criação e na revitalização das salas de exibição públicas, com o intuito de atingir regiões mais carentes do Brasil. Com acesso à arte e à cultura, como o cinema, o povo pode deixar de somente sobreviver e passar a viver de fato.