ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 21/03/2021
O cinema do ator e diretor britânico Charles Chaplin abrange um contingente de sátiras sociais que, apesar da comicidade, chamam a atenção dos telespectadores para impasses pontuais da humanidade, levando-os a refletir sobre a conjuntura mundial. Portanto, aponta-se que o cinema possui grande potencial de interagir criticamente com o público, contudo, na contemporaneidade, a cinematografia como ferramenta cultural e educativa se dá de forma inatingível para um grande percentual de brasileiros devido, sobretudo, ao interesse neoliberal de privatização social dos espaços, como as salas de cinema.
Primeiramente, é necessário entender e destacar a importância social e educativa das produções cinematográficas. O poder educativo do cinema está pautado no contato do telespectador com aquilo que está sendo passado, apresentando-o, portanto, a novos conceitos, ideologias ou situações reais que eram previamente desconhecidas, clareando sua visão de mundo e somando saberes à sua percepção dos rumos da humanidade. Nesse sentido, o filósofo alemão Theodor Adorno, remetendo-se a barbaridade do holocausto do século XX, aponta para a necessidade de analisar e compreender os fatos passados para que atitudes deploráveis não sejam reproduzidas. Paralelamente a isso, é fato que filmes são instrumentos adequados para análises históricas, uma vez que permitem a visualização concreta das causas e consequências do momento, tornando-os essenciais a acessibilidade popular.
Todavia, a realidade brasileira distancia-se do cenário democrático deste aliado cultural. O viés político neoliberal tornou-se um dos maiores responsáveis pela concentração das salas de cinema do país, que estão inseridas, predominantemente, em grandes centros urbanos e shoppings centers, locais estrategicamente pensados para maior faturamento das empresas privadas de exibição, o que acarreta intensa elitização deste lazer cultural, visto que, geralmente, apenas pessoas que gozam de alto poder aquisitivo terão acesso a espaços pouco difundidos. A privação da população a salas de cinema diminui as possibilidades da criticidade aliada a esta ferramenta cultural e histórica, minimizando as experiências nacionais do ser social.
Diante do exposto, deve-se existir uma maior preocupação dos órgãos políticos municipais, como as Câmaras, à infraestrutura das cidades para adequação da contratação e recebimento de empresas de cinemas nestes espaços, somado a atitude das escolas públicas, visto o âmbito educacional dos filmes, de organizar, frequentemente, idas dos alunos a tais locais, em intervalos semestrais, por meio do apoio ativo dos municípios, como a disponibilização suficiente de transporte e pagamento da sessão, aumentando assim, a democratização cultural dos espaços de cinema no Brasil.