ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 16/01/2021

“Paz sem voz, não é paz, é medo”. Dessa forma, a banda brasileira “O Rappa” ressalta a importância do debate sobre os problemas do corpo social. Analogamente, discutir sobre a desigualdade ao acesso ao cinema no Brasil é fundamental para evitar que a sociedade seja coajida como a canção indaga. Para isso, entender que a arte está historicamente ligada ao desenvolvimento humano e também que a indutrialização pode agravar o problema, é necessário.

Primeiramente, nota-se que a expressão artística está vincuada às mais diversas sociedades já existentes. Por exemplo, a Arte rupestre, que pressupõe que esse tipo de manifestação vigora desde as sociedades “pré-historicas”. Não somente, mas durante a Antiguidade Clássica o teatro grego também foi uma forma de expressão dos povos, uma configuração de distração e lazer. Da mesma maneira, a arte do audiovisual possibilita a discussão sobre a sociedade e, com isso, permite o avanço social, já que segundo a sociologa Hanna Arrendt, e o que ela denominou de banalidade do mal: a persistência de algo errado, torna-o legal. Ou seja, com as possibilidades de discussões através das obras cinematográficas a sociedade brasileira a sociedade brasileira evita a estagnação pelo entreterimento.

Em acréscimo, vale ressaltar a relação da industrialização do pais com o atual problema. Exemplifiando: uma das consequências do processo industrial é o êxodo rural - a saída do campo para os centros urbanos. Assim, ocorre uma maior concentração de brasileiros em cidades, como São Paulo, justamente por conta do seu potencial industrial. Ou seja, fica mais difícil estabelecer uma infraestrutura de qualidade, que atenda integralmente a demanda. Mas não somente, sabe-se que grande parte dos proletários vivem em bairros humildes, ou periféricos e no interior dos municípios. E, segundo a Ancine (Agencia nacional do cimema), essas áreas são excluidas do acesso, uma vez que ocorre a preferência da instalação dos cinemas em áreas com maiores rendas. Logo, percebe-se que a instalação de industrias, de fato, valoriza as cidades atraindo a instalação de cinemas, mas, ao mesmo tempo, exclui aqueles que mesmo trabalhando nessas empresas não residirem próximos dessas áreas.

Por isso, intervir para o aumento do acesso dos brasileiros aos cinemas é essencial. Para tal, cabe a existência da relação entre as empresas exibidoras e o Governo Federal, através da elaboração de politicas públicas, como cinemas ao ar livre, ou ainda o financiamento para construção de novos cinemas, mas que sejam mais baratos e próximos das regiões marginalizadas, por meio das verbas púbicas destinadas a cultura e lazer. Assim, pretende-se que os grupos excluídos acessem os espaços que lhe são negados e ainda impede a formação de uma sociedade medrosa ou banal.