ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 30/05/2020
“Eles querem te vender, eles querem te comprar…”. A música 3° do Plural, dos Engenheiros do Hawaii, discorre sobre o capitalismo exarcebado que dominou o mundo e transformou as funções sociais de produtos e empresas. Sob tal ótica, hoje, no Brasil, tal transformação se torna evidente ao analisar a acessibilidade à indústria do cinema, a qual é irrisória frente a tamanha população. Isso se deve ao alto custo imposto ao público e ao esquecimento de áreas isoladas por parte do Estado.
Em primeiro plano, é fulcral pontuar a injunção de valores elevados, pelos cinemas, como promotora desse imbróglio. Conforme noticíado pelo Jornal Nacional, a população alijada por fatores econômicos tem favorecido a pirataria no país. Isso pois, o mercado pirata disponibiliza tal experiência por preços expressivamente menores. Logo, é indubitável que a busca pelo lucro exagerado promova um cenário deletério protagonizado pela exclusão e pirataria. Assim sendo, é necessário criar mecanismos de inclusão da população de baixa renda.
Outrossim, é imperativo ressaltar o abandono das regiões periféricas, que não atraem o capital privado, por parte do Estado. Consoante à Ancine, no Brasil, existe uma média de 100.000 habitantes por sala cinematográfica. Por conseguinte, devido à concentração dessas em regiões mais ricas, aquele que reside em locais mais distantes - outras cidades - fica sujeito a migração pendular, que torna o acesso ainda mais custoso. Destarte, urge que o governo se atente às localidades mais afastadas dos polos cinematográficos.
Dessarte, é mister que o Estado tome providências para promover a democratização da acessibilidade aos cinemas brasileiros. A fim de incluir toda população na atividade cultural que é o cinema, cabe ao Poder Legislativo criar, por meio de política pública, uma lei que conceda descontos expressivos àqueles de baixa renda, combatendo assim a exclusão desses e a pirataria. Ademais, compete ao Ministério do Desenvolvimento Regional promover, através de pesquisa e verba estatal, a construção de novos cinemas em localidades estratégicas, visando possibilitar o acesso ao maior número de pessoas possível. Somente assim, poderá se romper com a ideia de “3° do Plural - Engenheiros do Hawaii” e oferecer o lazer à sociedade, secundarizando o lucro.