ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 23/05/2020
Segundo a Primeira Lei de Newton, a Lei da Inércia, em que um corpo tende a permanecer em seu movimento natural até que uma força suficiente atue sobre ele, mudando-o de percurso, a elitização e a desdemocratização do universo cinematográfico é um impasse evidente no Brasil. Sendo assim, este espaço que deveria atender a todos os cidadãos independente de suas condições socioeconômicas, tornou-se gradativamente restrito a indivíduos com baixa renda e à parte dos habitantes de periferias, pois a maioria das salas de cinema concentra-se em áreas mais desenvolvidas, que acumulam maior rentabilidade. Entretanto, este problema precisa ser solucionado porque obras cinematográficas constituem um importante lugar de fala, em que é possível transbordar o universo pessoal para a tela.
Em primeiro plano, o filme “Coringa”, que estreiou há pouco tempo no Brasil, tem ganhado destaque e visibilidade por abordar certas questões polêmicas. Então, a obra analisa o comportamento de um indivíduo com problemas mentais inserido em uma sociedade doente. Por conseguinte, a loucura funde-se com a violência, já que, o protagonista, após sofrer maus-tratos da população, desenvolve um quadro agressivo e é glorificado pela massa, mostrando uma sociedade que está tão prejudicada econômica e socialmente a ponto de idolatrar um louco. Em suma, esta arte propõe uma reflexão coletiva, por isso existe a importância da expansão do cinema para resgatar o conceito de comunidade e aumentar o acesso à informação.
Sob outro ponto de vista, a globalização foi um processo de integração entre diversos lugares do planeta que possibilitou a difusão de ideias e informações, em um curto período de tempo, devido ao desenvolvimento da área tecnológica. Consequentemente, nos dias atuais, é comum a presença de televisões em residências, o que contribui para o aumento do número de telespectadores que optam por assistir filmes no conforto de suas casas ao invés de pagar por esse entreterimento no cinema. Por conta da sociedade com princípios capitalistas em que vivemos, o alto preço cobrado pelos ingressos somado à falta de tempo, desestimulada a ida ao estabelecimento mencionado.
Diante do exposto, urge ao Estado tomar providências para que o acesso a ambientes cinematográficos não se limite a um pequeno grupo privilegiado e possa alcançar a maioria dos habitantes do Brasil. Portanto, é preciso a implantação de áreas públicas confortáveis com a presença de telas que atendam à demanda. Além disso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) promover campanhas publicitárias, através de verbas governamentais, para elevar a visibilidade nessa área da arte. Somente assim, esse cenário brasileiro poderá ser resolvido, mudando seu momentâneo percurso, como relata a Lei da Inércia.