ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 17/03/2020

No final do século XVll a implementação do cinema representou um marco da evolução social, tendo em vista que este simboliza a maior forma de propagação cultural e ideológica. Entretanto, em razão da grande segregação socioespacial vivenciada no período, pesquisas apontam que a acessibilidade ao cinema se restringia à minoria nobre. Sendo assim, nota-se que, no Brasil, tal divisão se perpetua na sociedade contemporânea como reflexo da colonização escravista. Observa-se, portanto, a importância de se democratizar o alcance cinematográfico, seja para romper padrões pré-estabelecidos, seja devido a relevância do cinema na formação da identidade de um povo.

A priori, sabe-se que a Constituição Cidadã garante os direitos que proporcionam a vida com dignidade do indivíduo e, assim sendo, é mister destacar o artigo 6 que assegura o direito ao lazer. Nesse sentido, por ser um direito social esperava-se que o acesso aos meios de lazer fossem democratizados. Contudo, segundo dados de pesquisas cinematográficas, há regiões brasileiras excluídas desses recursos tanto em razão da miserabilidade, quanto pela localização periférica. Desse modo, de acordo com a Teoria da Inércia do cientista Newton, toda ação tem uma reação, conclui-se com isso que a criação de um padrão no período Colonial reflete na exclusão do acesso aos direitos humanos de uma parcela social.

A posteriori, é possível notar a importância do cinema no período Entre Guerras, onde houve a criação de heróis nacionais e, por consequência, formação do patriotismo americano, perpetuados por meio de filmes e slogans. Nessa perspectiva, constata-se que o cinema é formados da identidade nacional e, em consonância com Albert Einstein, a mente que abre espaço para uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original. Dessa maneira, a dissipação do cinema corrobora não só com a unificação brasileira como também com o desenvolvimento intelectual e cultural da sociedade.

Por tudo isso, salienta-se a necessidade da democratização do acesso ao cinema. Dessa forma, o Governo Federal associado a empresas midiáticas, inspirado por modelos Estadunidenses, deve promover a criação de cinemas públicos, com telões em locais de praça ou campos de futebol - em cidades de interior, regiões periféricas, como favelas, e ambientes de escassez de recursos- de modo que as pessoas possam se alocar em maior quantidade para além de proporcionar acesso ao cinema, fornecer maior interação social. Ademais, cadê às companhias televisivas o papel de contratar filmes de teor educativo e cultural diversificados para serem executados em rede nacional de forma inédita, a fim de aumentar o alcance do acesso a conteúdos de entretenimento no Brasil; garantindo, assim, os direitos humanos individuais assegurados pela Constituição de 88.