ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 28/01/2020
No livro “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, retrata-se uma sociedade distópica, em que o acesso às produções artísticas é escasso, devido à negligência estatal perante um regime político autoritário. Em consonância com a obra literária, o descaso governamental limita a democratização do acesso ao cinema no Brasil, o que gera consequências devastadoras de cunho social e cultural. Sob esse espectro, é essencial expor e viabilizar medidas para mitigar tal problemática, a fim de evitar a exclusão de grupos sociais minoritários e ampliar o acesso à cultura em âmbito nacional.
Em primeiro plano, é imperativo mencionar que, segundo a Constituição Federal de 1988, o Estado deve garantir a todos o pleno exercício do acesso às fontes de cultura, além de incentivar e apoiar manifestações culturais em território nacional. No entanto, tal construção teórica faz-se pouco efetiva em metodologias práticas, uma vez que o Governo e seus órgãos complementares, como o extinto Ministério da Cultura, perpetuam o processo de exclusão de grupos sociais mais vulneráveis às fontes de entretenimento. Dessa forma, percebe-se a urgência de medidas públicas para reverter esse cenário caótico.
Outrossim, é lícito postular que a desigualdade regional tem papel fundamental na questão do acesso aos bens culturais. Dessa forma, é nítido que a irregularidade territorial, no que tange à distribuição de salas de cinema e eventos artísticos no país , limitam a democratização do acesso ao cinema no país. Tal fenômeno pode ser analisado à luz da metáfora denominada “corpo biológico”, proposta pelo sociólogo francês Émile Durkheim, que afirma que para haver uma sociedade coesa, é necessário que as estruturas sociais estejam articuladas e em bom funcionamento,assim como os órgãos humanos. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
É fundamental, portanto, que mudanças sejam concretizadas para a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Desse modo, cabe ao Governo Federal, articulado às prefeituras e empresários de municípios menos favorecidos de cidades do interior ,por meio de parcerias público-privadas, promover construções de salas de cinema em tais localidades , a fim de reverter a irregularidade nacional nesse quesito. Ademais, as empresas cinematográficas devem, mediante incentivos fiscais, baratear o custo dos ingressos para grupos carentes financeiramente, visando uma efetiva inclusão dos cidadãos mais excluídos nesses locais . Assim, atenuar-se-á a exclusão social no que tange à acessibilidade aos bens imateriais, e reverter-se-á a semelhança nacional com o cenário distópico idealizado em “Fahrenheit 451”.