ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 17/01/2020
Na obra “1984”, o escritor britânico George Orwell destaca uma distopia, em que um Estado totalitário restringia a opinião pública mediante o controle dos recursos audiovisuais. Nesse sentido, a democratização do acesso ao cinema favorece o estabelecimento de uma sociedade mais crítica. Contudo, as disparidades urbanas e uma baixa instrução pedagógica limitam tal papel.
Diante desse cenário, durante o processo de urbanização do Brasil, intensificado no século XX, os centros urbanos passaram a favorecer a favelização, em que as camadas populacionais mais pobres foram afastadas. Tais áreas, marginalizadas, apresentam um insuficiente número de cinemas, de modo que inúmeros indivíduos não acessem a uma fonte capaz de promover momentos de lazer, além de gerar reflexão e maior criticidade frente aos problemas atuais. Destarte, a expansão no número de cinemas maximiza a cidadania, tendo em vista que engloba distintas formações sociais.
Outrossim, é imprescindível uma atuação social que fortaleça as estruturas capazes de assegurar as condições de liberdade e de inclusão social. Para isso, baseado nas teorias do sociólogo Jürgen Habermas, é necessária a existência de uma Ação Comunicativa. Nesse contexto, pelo fato dos Centros educacionais não fornecerem, de modo interativo e dinâmico, funcionalidades audiovisuais voltadas para a transmissão de filmes com conteúdos didáticos e recreativos, o processo pedagógico não estimula o contato com o cinema desde os níveis básicos da educação, de forma a limitar o desenvolvimento cognitivo dos estudantes.
Entende-se, portanto, que é mister do Governo Federal promover a mudança do quadro atual. Para tanto, é necessário oferecer a presença de cinemas em áreas marginalizadas e um agir pedagógico que incentive a atuação cinematográfica. Isso pode ser feito por intermédio de maiores subsídios ao Ministério da Cidadania e ao Ministério da Educação, a fim de que a construção de cinemas em distintas área possa ser realizada, bem como o público infantojuvenil possa adquirir uma formação pedagógica mais dinâmica e funcional, a exemplo a participação de um maior número de salas cinematográficas nas escolas do País. Assim, ter-se-á uma nítida democratização do acesso ao cinema.