ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/01/2020
Durante a Guerra Fria, a necessidade de propagar os ideais capitalistas influenciou diversas áreas do entretenimento, como o cinema. Hodiernamente, apesar de o Brasil ser um país marcado pela pluralidade cultural, o acesso ao cinema encontra-se restrito às camadas mais privilegiadas da sociedade e pouco presente na rotina de muitos brasileiros. Esse contexto levanta questionamentos importantes na sociedade, como a busca pela democratização do acesso ao cinema no Brasil.
Em primeira análise, é indubitável que o cinema possui grande importância para garantir que as pessoas conheçam outras culturas e tenham contato com variados estilos de vida, através dos filmes. Sob esse viés, a Alegoria da caverna, de Platão, relatava que o homem, ao defrontar-se com outras perspectivas e modos de viver, sempre aprendia algo e deixava de ser quem era antes do fato. Por conseguinte, a precarização do acesso ao cinema no país pode reduzir o desenvolvimento cultural da população e, de certa forma, aliená-la.
Ademais, a realidade elitista do cinema brasileiro, o qual restringe-se às camadas privilegiadas da sociedade, retrata que o Brasil ainda é um país cujas disparidades econômicas são refletidas no meio artístico. Por ilustração dessa realidade, têm-se a obra A hora da estrela, de Clarice Lispector, na qual, a protagonista sonha em ser reconhecida artisticamente no país, mas é impedida pela situação de pobreza que a acompanha desde sempre. Dessa forma, os amantes brasileiros de cinema que não se encontram entre os mais favorecidos assemelham-se à personagem de Clarice, visto que se veem impedidos de realizar o que almejam por questões socioeconômicas que lhes foram impostas. Diante dos fatos citados, infere-se que a democratização do acesso ao cinema no Brasil é de extrema importância para expandir os conhecimentos artísticos e culturais da população, além de inibir mais uma característica das desigualdades sociais no Brasil.
Portanto, o Governo deve, a partir de incentivos fiscais, estimular que empresas do setor implantem cinemas nas áreas periféricas e interioranas do país, uma ótima forma de alcançar as camadas menos favorecidas da população. Assim feito, o Brasil não será mais visto como um país elitista na distribuição de cinemas e esse setor voltará a predominar, assim como na Guerra Fria.