ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/02/2020

Quando os irmãos Lumiere projetaram as primeiras cenas com seu cinematógrafo, ao apagar das luzes do século XIX, não imaginavam o impacto que sua descoberta teria. Contudo, séculos mais tarde, apesar da magnitude e da popularidade do cinema, tal descoberta ainda não é acessível a todos no Brasil, perfazendo um problema atual. Dessa maneira, o cinema insere-se em um sistema injusto, em que padece pela falta de incentivos governamentais, pelas ingerências advindas de uma cultura de massa, reproduzindo as mesmas desigualdades presentes na sociedade, tornando-se um espetáculo inalcançável.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar, que boa parte da população não tem acesso ao cinema, a saber, pelos 46% dos brasileiros que vivem em cidades que não tem sala de exibição, dados de 2018 da Agência Nacional de Cinema – ANCINE. Ademais, os valores cobrados, a localização em que se inserem, entre outros fatores, dificultam o acesso da parcela que não seja a mais abastada e instruída, se comportando, portanto, como instrumento de divisão. O cinema deve ser, primeiramente, acessível, posto que falar em democratização requer a discussão sobre igualdade, segundo Rousseau. Assim, tal arte não pode ser indiferente para maior parte do povo, deixando de promover espaços. Não pode, portanto, ser reprodutora de desigualdades.

Por outro lado, há a tendência de transformação do cinema em produto, com viés fortemente capitalista, que na busca incessante pelo lucro, cria atrações vazias direcionadas fielmente para segmentos específicos, com conteúdos alienantes. Nesse contexto, a figura da indústria cultural surge anulando a capacidade de reflexão, de informação e de protagonismo da arte, retirando do cinema a característica de agente promotor de cidadania e democracia. Dessa forma, ao priorizar as franquias em detrimento da memória, das exibição das diferentes realidades sociais, o cinema cai no erro da aculturação.

É fundamental, portanto, para resolução dessa problemática, que haja parcerias entre o governo, por meio da Secretaria Nacional de Cultura, com as Empresas Privadas, ampliando a distribuição de vales-cultura para os segmentos populacionais que não tem acesso ao cinema, com benefícios fiscais para as empresas, promovendo igualdade e justiça no acesso ao cinema. Bem como instituir projetos, por meio das escolas, nos quais haja o incentivo as atividades que envolvam o aprendizado sobre a história do cinema, sua relevância e suas contribuições culturais, com visitas a exibições que relacionem os diversos temas às realidades presentes no Brasil, fazendo com que essa arte seja útil, transformadora. Uma arte que seja, sobretudo, alcançável.