ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 01/01/2020
No fim da segunda guerra mundial, o ator e diretor Charles Chapplin, no final de um dos seus filmes, apresentou ao mundo considerações sobre amor, empatia e tolerância. Nesse prisma, a democratização do cinema vai além de uma mera expressão artística, mas como uma modeladora de um perfil ético e moral. Desse modo, o não acesso à cultura pelas massas gera uma problemática, seja a falta de senso crítico, seja os desvios morais da sociedade.
Em primeiro plano, urge salientar a ausência de criticismo de uma comunidade. Nesse contexto, a cegueira moral, fenômeno exposto pelo escritor José Saramago no livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, expõe a não observância da sociedade pelas mazelas sociais, tornando os indivíduos alienados à sua própria realidade. Portanto, essa problemática ecoa fora da ficção, sendo fomentada principalmente pela dificuldade do acesso à cultura, sobretudo, ao cinema, devido ao alto preço dos ingressos, afastando cada vez mais a população periférica à dramaturgia.
Outrossim, vale ressaltar os desvios morais como resultado do não incentivo governamental com a cultura. Nesse âmbito, segundo a teoria do “Habitus” do filósofo francês Pierre de Bordieu, uma determinada comunidade incorpora uma estrutura social que nela é imposta, na qual a mesma naturaliza e, por fim, a reproduz. Partindo desse pressuposto, essa visão social, segundo o filósofo, é determinada por um agente moldador de personalidade, tal personagem pode ser o teatro e o cinema. Nesse princípio, a inobservância do Estado, com a dramaturgia, sobretudo as que fazem refletir, geram grupos com baixa empatia e com sérios problemas de convívio social.
Em síntese, é factual que, o Estado deve intervir para que a problemática seja mitigada. Cabe, portanto, que o poder Executivo, através do Ministério da Cidadania e Direitos Humanos, celebre acordos com a iniciativa privada através de uma PPP – Parceria Público Privada- a criação de centros comunitários que exibam periodicamente filmes de cunho social, bem como aumentar o alcance de filmes nacionais criando, por exemplo um site e aplicativo aos moldes da empresa de streaming “Netflix” que exiba de graça filmes para a população de baixa renda, a fim de que mais pessoas possam desfrutar e aprender cada vez mais pela dramaturgia. Somente assim, a declaração de Charles Chapplin se expanda e atinja muito mais pessoas, tornando um mundo melhor.