ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/12/2019

No Coliseu romano, ocorria eventos para todo o público. Analogamente, surgiram os cinemas, entretanto com a urbanização seu acesso passou a ser restrito, gerando uma desigualdade socioespacial e, consequentemente, uma cultura hegemônica.

De acordo com Karl Marx, a história da humanidade é a história da luta de classes. Percebe-se isso nos cinemas brasileiros, que contemplam as classes localizadas nos centros das grandes cidades. Por conseguinte, as classes mais longínquas dos centros econômicos são negligenciadas. Dessa maneira, emerge uma desigualdade socioespacial. Prova disso são os dados do “Meio em Mensagem”, afirmando que somente 17% da população frequentam os cinemas.

Outrossim, segundo Marcos Bagno, a linguagem é um meio de dominação. Algo evidenciado na linguagem cinema, já que a classe dominante não é apenas a maior frequentadora, mas também domina o conteúdo transmitido. Por conseguinte, a parcela mais pobre da sociedade acaba tendo sua realidade negligenciada pelos cinemas. Dessa forma, vem à tona uma cultura hegemônica.

Portanto, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da Cultura, juntamente com os Municípios, ofereça cinema de graça para toda a população nas praças das cidades, contratando atores e roteiristas que estejam dispostos a retratarem, principalmente, a realidade da parcela negligenciada da sociedade. Dessa forma, a médio prazo, não existirá cultura hegemônica, como também a desigualdade socioespacial não será mais um problema, pois o cinema passará a ser para todos, assim como o Coliseu romano.