ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 02/12/2019

Consoante a Carta Magna brasileira de 1988, é dever do Estado garantir a todo indivíduo o direito ao lazer e ao bem-estar social. Contudo, quando se observa o panorama de desafios para democratização do acesso ao cinema no Brasil, constata-se que tal premissa diverge substancialmente da prática e que a problemática persiste intrínseca à realidade da nação. Isso se deve, sobretudo, pela falha estatal - no que tange à promoção de políticas de inclusão- e pelas acentuadas desigualdades sociais do país. Nesse peculiar, faz-se mister encontrar subterfúgios combativos a fim de mitigar essa inercial situação.

É válido destacar, a princípio, que a indiligência governamental está entre os impasses para tal democratização. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman criou o conceito de “Instituição Zumbi”, que, relacionado ao Estado, define-o como algo existente, mas que não cumpre sua função social. Nesse sentido, vê-se que o governo falha perante as ações e as políticas públicas de inclusão no que se refere à democratização do acesso ao cinema, visto que os investimentos em infraestrutura são, preferencialmente, destinados a áreas mais urbanizadas, deixando à revelia regiões mais periféricas. Isto posto, fica evidente a necessidade de ações estatais mais contundentes objetivando ao enfrentamento problemática.

Ademais, é cabível enfatizar que as desigualdades sociais existentes impulsionam o problema. Sob esse viés, o sociólogo Milton Santos ressalta que a globalização, apesar de ter dinamizado mundo, foi excludente e acentuou as desigualdades sociais. Nesse prisma, verifica-se que mesmo sendo um dos frutos da globalização, os cinemas não são acessíveis a todo tecido social, o que pode ser motivado por fatores econômicos dos indivíduos-uma vez que nem todos desfrutam das mesmas condições- como também por questões locacionais, pois, de modo geral, tais salas exibidoras restringem-se aos grandes centros urbanos. Desse modo, é imprescindível que vias salutares sejam encontradas afim de atenuar as desigualdades, possibilitando o acesso de todos aos cinemas.

À luz dessas considerações, é necessária a reformulação de políticas visando erradicar tal impasse. Para tanto, compete ao Poder Público investir na construção de novos cinemas, especialmente, em áreas periféricas e em cidades do interior, por meio de investimentos em infraestrutura, contribuindo para o desenvolvimento do lazer no país, com o escopo de democratizar o acesso em todo o território brasileiro. Outrossim, cabe ao mesmo agente elaborar programas de inclusão específicos, como o fornecimento e descontos a partir da renda do indivíduo, a fim de que as desigualdades não sejam um problema para acessibilidade aos cinemas. Assim, poder-se-á democratizar o acesso aos cinemas, respeitando os descritos da Constituição.