ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 02/12/2019
Em meados do século XXI, a ONU (Organização das Nações Unidas) criou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em que o lazer foi considerado um direito fundamental ao indivíduo. Contudo, ao se observar as dificuldades da democratização do acesso ao cinema no Brasil, fica-se claro que tal ideal é constatado na teoria, mas não na prática. Nesse prisma, é de extrema relevância uma análise sobre os propulsores dessa problemática, tais quais a desigualdade social e a segregação espacial.
Em primeiro plano, o livro “21 lições para o século 21” do escritor Yuval Harari, materializa, em seu enredo, que os indivíduos estabelecem prioridades de acordo com as circunstâncias em que estão inseridos. Sob essa perspectiva, a parcela populacional desprivilegiada socialmente não possui como prioridade a cultura, mas sim o trabalho, posto que é o meio que lhe garante sobrevivência. Nesse viés, passeios culturais, como o cinema, se encontram distantes da realidade desses cidadãos, devido à falta de recursos financeiros. Dessa maneira, torna-se crucial que o Estado auxilie esses indivíduos, para que o acesso ao cinema não seja negligenciado em razão da desigualdade social.
Ademais, vale ressaltar, ainda, que a colonização do território brasileiro teve um caráter exploratório, isto é, não houve um planejamento de expansão urbana. Paralelamente, na contemporaniedade, o país sofre as consequências dessa ausência de organização territorial, dado que configurou-se uma segregação socioespacial, em que os grandes centros urbanos acumulam recursos econômicos e culturais. Tendo isso em vista, as cidades afastadas das metrópoles têm um difícil ou, até mesmo, nulo acesso às salas de cinema, o que acaba por reduzir a possibilidade de que os residentes desses municípios frequentem esse ambiente cultural. Em suma, é impressindível que ações governamentais sejam realizadas com o intuito de promover uma ampliação de cinemas por todo o Brasil.
Faz-se, portanto, necessária adoção de medidas que solucionem esse impasse. Destarte, cabe ao Governo Federal criar um projeto que vise a construção de cinemas em locais afastados dos grandes centros urbanos, com foco inicial nas regiões de menor desenvolvimento econômico, por meio de subsídios fiscais, por parte do Governo, às empresas que aderirem a essa iniciativa, para que a distribuição espacial brasileira deixe de apresentar um empecilho para a democratização do acesso ao cinema. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Social deve criar uma bolsa cultura mensal para os trabalhadores que recebem até 3 salários mínimos por mês, por meio da destinação de verbas oriundas de impostos públicos, pelo Governos Federal, para a consolidação dessa proposta, com o objetivo de propiciar o acesso ao cinema. Em síntese, após essas ações, o ideal estipulado pela ONU sera assegurado em solo nacional.