ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 27/12/2019

No século XIX, Lumière, cientista francês, criou o “cinematógrapho” para auxiliá-lo nos estudos cinemáticos do movimento. Séculos depois, tal criação tornou-se um dos principais recursos midiáticos para a reprodução e manifestação culturais existentes: o cinema. Embora a cinematografia reflita a realidade social do indivíduo e da sociedade, é preciso analisar que a popularização e a acessibilidade ao cinema no Brasil são limitadas devido a uma renda insuficiente das classes populares e a uma concentração das salas de cinema nos grandes centros urbanos.

Em primeira análise, destaca-se que famílias das classes baixas não possuem renda suficiente para frequentar salas de cinema. Isso decorre da necessidade de se priorizar outros gastos, como alimentação e transporte, logo, diversas famílias abrem mão de “luxos” como o cinema para garantir sua sobrevivência. Exemplo disso é a existência de diversos festivais de cinema espalhados pelo Brasil, como o Festival de Cinema de Tiradentes, que busca levar o acesso a diversos títulos para a população carente. Como efeito, busca-se ampliar o contato dessa população com a arte do cinema.

Em segunda análise, nota-se, ainda, que há a concentração das salas cinematográficas nos grandes centros urbanos. Isso porque são áreas de maior fluxo de pessoas e, consequentemente, as que trarão maior rentabilidade às grandes empresas de cinema brasileiras. Como exemplo, de acordo com a Agência Nacional de Cinema (ANCINE), destaca-se que mais de 90% das salas de cinema estão presentes nas grandes cidades e mais da metade estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste. Consequentemente, tal concentração dificulta a popularização do cinema no país.

Portanto, torna-se evidente que a democratização do acesso ao cinema no Brasil ainda não ocorreu para os indivíduos mais pobres residentes das periferias e interior das regiões metropolitanas. Em razão disso, cabe ao Ministério da Cultura e da Economia, por meio de emendas constitucionais, subsidiar empresas cinematográficas a facilitar o acesso, como disponibilizar ingressos populares, às pessoas de baixa renda, para que possam ter acesso ao cinema. Ademais, cabe à ANCINE promover Festivais de Cinema, por meio da interiorização dessa ação, como em cidades pequenas, a fim de democratizar a cinematografia brasileira.