ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 23/01/2020

A Constituição brasileira prevê, em seus primeiros artigos, o lazer como uma garantia cidadã dos indivíduos. Contudo, o acesso às mais variadas formas de entretenimento se restringe, principalmente, às regiões mais desenvolvidas e às classes sociais mais favorecidas. Desse modo, o cinema é uma ferramenta oportuna para a construção da cidadania, mesmo que grande parte da população não tenha condição de acessá-lo. Logo, a democratização do acesso ao cinema no país enfrenta problemas de segregação espacial e econômica.

Em princípio, sabe-se que todo investimento econômico visa, especialmente, áreas de relativo interesse. Dessa forma, segundo Milton Santos, os fluxos concentrados em polos urbanos permitem que setores comerciais se instalem, dos quais as redes de cinema se inserem. Por isso, cidades médias e regiões metropolitanas agregam um número expressivo das salas de cinema, de forma a marginalizar localidades desfavorecidas e esquecidas atrativamente. Mediante a isso, pessoas residentes de áreas periféricas dos princípios núcleos urbanos não usufruem dessa ferramenta de integração cidadã.

Ademais, outro problema evidencia-se com a disparidade de acesso monetário às diversas camadas sociais. Nesse contexto, dados mais recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam que, apesar do poder de compra ter aumentado nos últimos anos, os brasileiros de classes vulneráveis ainda não possuem acesso aos principais mecanismos de lazer. No entanto, políticas públicas de acessibilidade são estratégias para enfrentar esse problema. Nesse sentido, o Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, fornece sessões gratuitas de cinema para toda a população, no intuito de estender a beleza cinematográfica independente de renda social.

O acesso democrático ao cinema no Brasil, portanto, depende do enfrentamento da exclusão socioespacial e socioeconômica. Assim, o Estado deve criar salas de cinemas públicas nas regiões periféricas, com apoio do setor privado local, com sessões semanais gratuitas nos espaços públicos desses lugares, a fim de diminuir a restrição dos indivíduos e da comunidade a essa arte contemporânea. Além disso, as principais redes de cinema devem adotar, mediante subsídios públicos, tarifas promocionais e gratuitas para os grupos vulneráveis, no objetivo de integrá-los à realidade circundante do cinema. Destarte, futuramente, o cinema será um bem coletivo do brasileiro em toda esfera social.