ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/09/2025

A obra infantil “A Princesa e o Sapo” aborda a história da personagem Tiana: uma jovem que, desde a infância, assiste sua melhor amiga obter oportunidades e experiências inalcançáveis para ela mesma, em virtude de sua difícil condição financeira. Ao trasladar da esfera fictícia para o plano concreto, infere-se que a disparidade social retratada na animação condiz com o estado da sociedade contemporânea, visto que a democratização do cinema no Brasil não é uma realidade. Nesse prisma, os alicerces dessa conjuntura consistem no histórico nacional de desigualdade no acesso à cultura e na negligência estatal.

Em primeira análise, vale discorrer sobre a segregação social no passado do país. A esse respeito, no governo de Rodrigues Alves, a urbanização da cidade do Rio de Janeiro foi planejada apenas para a elite, sendo iniciada após a expulsão da classe baixa do centro da cidade para a periferia. Nesse contexto, ao impedir que o povo desfrutasse das reformas e do “boom” cultural da capital, as autoridades da época implantaram uma barreira de inacessibilidade que perdura nos dias atuais, dado que o cinema ainda é um lugar pouco visitado pelos mais necessitados. Sendo assim, é necessário romper com práticas arcaicas para encerrar a problemática.

Outrossim, cumpre salientar a irresponsabilidade governamental como um fator agravante dos obstáculos. Sobre isso, o filósofo John Rawls, na teoria do contrato social, alegou que o Estado deve ser o principal mantenedor do bem-estar coletivo. Diante da afirmação, percebe-se que o governo brasileiro não cumpre o papel idealizado pelo pensador, tendo em vista que os cinemas da nação seguem concentrados em bairros elitizados por causa da negligência dos entres púbicos em relação às necessidades dos cidadãos periféricos. Dessa forma, o agir estatal é fundamental para democratizar tais ambientes.

Portanto, medidas devem ser esquematizadas para findar os desafios. Para tanto, as prefeituras brasileiras — agentes responsáveis pelo bem-estar regional — devem utilizar de reuniões com foco na melhora da infraestrutura para construir cinemas nas periferias dos municípios, com o intuito de aproximar essa experiência do público de baixa renda. Dessa maneira, certamente, o roteiro de “A Princesa e o Sapo” não será um retrato das dinâmicas sociais da nação.