ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/09/2025

Surgindo no século XIX, o cinema firmou-se globalmente como forma de arte e expressão cultural extremamente importante. Inicialmente encarado como ferramenta científica de menor impacto no lazer, virou um potente meio de contar histórias, transmitindo sentimentos, ideias e princípios. Em terras brasileiras, contudo, o acesso a essa arte ainda é desigual, expondo questões sociais, financeiras e estruturas que impedem que ela se torne democrática.

Em tempos passados, o país ostentava uma vasta rede de exibição. Em 1975, existiam em torno de 3.300 salas de cinema, muitas no interior. No entanto, devido a rápida urbanização, a falta de investimento na estrutura cultural e as mudanças na tecnologia diminuíram esse número para pouco mais de mil em 1997. Nos anos que se seguiram, o aumento dos shoppings elevou a quantidade de cinemas, mas de modo concentrado em áreas ricas, deixando de lado cidades menores, regiões periféricas e boa parte do Norte e Nordeste.

Essa concentração espacial revela uma exclusão cultural que ultrapassa o mero lazer. O cinema, por meio de suas histórias e formas de mostrar, é uma ferramenta crucial de educação e reflexão. Impedir que grande parte da população tenha acesso a ele significa limitar o contato com culturas e pontos de vista diversos, além de restringir chances de lazer de qualidade.

Para mudar essa situação, o governo precisa criar políticas públicas que incentivem a construção de salas em áreas pobres, estimulem a produção regional e coloquem o cinema nas escolas. Além disso, o uso de plataformas digitais pode ajudar a levar filmes a lugares sem estrutura apropriada, aumentando o alcance da sétima arte.

Sendo assim, tornar democrático o acesso ao cinema no Brasil é essencial para assegurar inclusão cultural e justiça social. Mais que um passatempo, essa arte deve ser vista como um direito, capaz de ampliar o conhecimento cultural da população. Cabe ao governo, às empresas e à sociedade civil trabalhar juntos para que todos, não importando renda ou onde moram, possam sentir emoção e aprender diante das telas.