ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2025
O cinema, desde sua invenção no século XIX, consolidou-se como uma das principais formas de arte, lazer e educação. Mais do que entreter, ele possibilita reflexões críticas sobre a realidade social, além de promover valores culturais. Contudo, no Brasil, o acesso a essa manifestação ainda é desigual, o que compromete o exercício pleno da cidadania.
Em primeiro lugar, a concentração de salas de exibição em grandes centros urbanos restringe o acesso da população que vive em regiões periféricas e interioranas. Dados do IBGE revelam que apenas 10% dos municípios brasileiros possuem cinemas, evidenciando a exclusão de milhares de cidadãos do contato com essa importante forma de expressão. Essa desigualdade territorial fere o princípio constitucional do direito à cultura, que deveria ser universal.
Outro ponto a ser considerado é o fator socioeconômico. Mesmo em cidades que contam com salas de cinema, muitas famílias não dispõem de recursos para frequentá-las regularmente, devido ao alto custo dos ingressos e à desigualdade de renda. Assim, o consumo cultural permanece elitizado, afastando grande parte da população de experiências que poderiam contribuir para sua formação crítica e cidadã.
Diante disso, é necessário que o poder público invista em políticas de democratização, como a criação de cinemas itinerantes, parcerias com escolas e incentivos fiscais para a abertura de salas em cidades pequenas. Além disso, empresas privadas podem colaborar oferecendo ingressos a preços populares e apoiando projetos comunitários voltados às populações vulneráveis.
Portanto, a democratização do acesso ao cinema no Brasil exige ações conjuntas do Estado e da sociedade civil. Somente assim será possível garantir que a sétima arte cumpra plenamente sua função social de promover inclusão cultural, diversidade e respeito aos direitos humanos.