ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 05/06/2022

George Orwell, em seu livro “1984”, previu um mundo onde todos os comporta-mentos da população seriam monitorados e influenciados por um governo ditatori-al. Embora essa ditadura proposta por Orwell não exista, a manipulação do com-portamento humano se provou verdadeira com a criação do controle de dados na internet — em que um sistema de algoritmos, baseado nos movimentos e gostos dos usuários digitais, filtram as informações a que estes serão expostos. Porém, es-sa manipulação mascarada como liberdade de escolha abre portas para ditaduras de algoritmos, ou seja, a seleção de informações às quais as pessoas são expostas e, consequentemente, o controle de seus conhecimentos, ideais e desejos.

É notório que a sociedade, historicamente, sofreu com diversas influências em suas escolhas cotidianas. A Igreja do século XV, por exemplo, detinha todos os co-nhecimentos que haviam sido escritos até então, desde filosofia até história, e proi-biu sua leitura a grande parte da população. Dessa forma, o povo tomava decisões baseadas em um conhecimento parcial, influenciado pelo desejo dos clérigos. Atu-almente, essa prática é mal vista, mas quem vivia na época não sabia que estava sendo manipulado. Como um autor desconhecido afirmou: “Libertei mil escravos e poderia ter libertado outros mil, se eles soubessem que eram escravos”.

Assim, ao selecionar o conhecimento que os usuários terão, os algoritmos ga-nham o poder de alienar e controlar, sem a percepção da sociedade. A exemplo de uma citação do texto “Como a internet influencia secretamente nossas escolhas”, de Tom Chatfield, “Quanto mais os sistemas souberem sobre você em comparação ao que você sabe sobre eles, há mais riscos de suas escolhas se tornarem apenas uma série de reações a “cutucadas” invisíveis”.

Portanto, faz-se necessário que o governo, por meio do legislativo, crie leis e re-gulamentações para diminuir e limitar a influência do controle de dados, tanto em redes sociais quanto em sites de pesquisa e notícias, podendo, também, estender a decisão de quantos e quais dados podem ser usados pelos algoritmos aos usuários digitais. Dessa forma, a transparência das operações impediria a população de se tornar escrava sem saber.