ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 14/11/2017
Desde as Revoluções Industriais e a ascensão do capitalismo, o mundo vem, demasiadamente, priorizando produtos e mercado em detrimento de valores humanos essenciais. Nesse sentido, mostra-se o preconceito sofrido pelos surdos e a extrema falta de estrutura social para o devido processo de formação e inclusão, importantes desafios a serem superados para assegurar o esperado acesso à educação dos cidadãos. Diante de tal perspectiva, vale analisar os fatores sociais e educacionais que constroem o cenário em questão.
Ressalta-se o preconceito quanto as capacidades de um deficiente auditivo como fator primordial para a existência de um baixo nível de surdos matriculados. De acordo com Albert Einstein, físico alemão, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado. Dessa forma, haja vista que embora previsto na Constituição o princípio da isonomia, no qual todos devem ser tratados igualmente, muitos cidadãos utilizam da deficiência apresentada por um indivíduo para promover discursos ofensivos e exclusão deste. Desse modo, promovendo uma indevida reclusão do indivíduo ao ambiente social, determinada muitas vezes por parte da família, com o intuito de proteger o surdo das possíveis manifestações de violência.
Pontua-se, ainda, a indevida falta de políticas públicas no setor de formação educacional de surdos como principal fator para a persistência de um sistema educacional que não inclui a todos. Segundo Zygmunt Bauman, filósofo polonês, na sociedade contemporânea o ser humano se encontra impregnado por um espirito individualista. Nesse contexto, o notório desejo de permanência no poder do atual sistema político corrupto brasileiro, inviabilizando qualquer medida social que não envolva seu objetivo. Por conseguinte, tornando cada vez mais explícito e frequente o indevido não cumprimento dos deveres designados ao Estado.
Nota-se, portanto, o preconceito social existente quanto aos surdos e a extrema falta de estrutura pública para o esperado processo de formação educacional destes, como fatores causadores de um quadro nacional com baixíssimos índices de deficientes auditivos formados. Logo, urge a necessidade de que o Ministério Público juntamente com as instituições formadoras de opinião, como escolas e famílias, ajam instruindo os cidadãos, por meio de debates, diálogos e campanhas de engajamento, buscando a interação da sociedade civil quanto ao conhecimento sobre os direitos e deveres previstos na Constituição, e valores como o respeito e a tolerância, para que o Brasil desenvolva um sistema educacional que promova a inclusão das diferenças.