ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 14/11/2017
Em Esparta, cidade da Grécia Antiga, os bebês que nasciam com qualquer tipo de deficiência eram mortos e jogados fora, pois os mesmos eram considerados incapazes de serem educados e inclusos em tal comunidade. Tal fato, assemelha-se à atual situação brasileira na qual a formação educacional dos surdos, infelizmente, não promove a inclusão social dos mesmos.
Partindo desse pressuposto, a principal causa para tal problema é a falta de profissionais e ambientes educacionais especializados no ensino para deficientes auditivos. Nesse contexto, das poucas escolas onde se há ensino especializado para surdos, a grande maioria é paga, e isso prejudica, principalmente, as famílias mais pobres que não possuem condições de arcar com os custos de uma educação especializada, a qual é acessível a apenas uma pequena parcela da população. Exemplo disso, são os dados do Ministério da Educação que mostram que, em 2016, menos de 30% da população surda brasileira possuia acesso à educação especial.
Outrossim, a grande consequência gerada pela falta de inclusão social dos surdos, é a enorme dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Com a competitividade em tal meio cada vez maior, a necessidade de um alto nível de especialização do trabalhador é cada vez maior; com a falta do preparo adequado, é evidente que os surdos não têm condições de competir por uma vaga de emprego de maneira justa. Nesse viés, dados do Ministério do Trabalho comprovam tal fato revelando que em cada 100 trabalhadores contratados,diariamente,apenas 4 são surdos.
Sendo assim, com a falta de inclusão dos surdos na sociedade, é evidente a necessidade de ações conjuntas entre o Ministério da Educação e o Ministério do Trabalho. Dentro de tal parceria, caberá ao Ministério da Educação tornar obrigatório o ensino de Libras nos cursos acadêmicos de licenciatura para que todos os profissionais da área de ensino possam atender aos surdos também. Deverá também o Ministério do Trabalho, aumentar a fiscalização, nas empresas, sobre os critérios utilizados na contratação de funcionários, para que assim os surdos possam competir justamente no mercado de trabalho, e que essa “deficiência” na população seja jogada fora assim como em Esparta.