ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 13/11/2017
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, relata, em suas “Memórias Póstumas”, que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Talvez, hoje, ele percebesse acertada sua decisão, pois é delicado viver em um país em que ainda há desafios para a formação educacional de surdos, como a falta de recursos e o preconceito na educação básica que reflete em toda a vida do indivíduo. Dessa forma, fazem-se necessárias medidas de mudança dessa realidade.
É preciso considerar, antes de tudo, os obstáculos históricos e atuais de interação e preconceito que os deficientes enfrentam. No início do século XX, os portadores de necessidades especiais eram vistos como aberrações e praticamente não interagiam no meio social. Com o tempo, isso foi mudando e eles passaram a frequentar escolas especiais e, segundo dados do Ministério da Educação, mais de 70% deles frequentam escolas regulares nos últimos anos. No entanto, segundo a mesma fonte, esse número vem caindo, porque menos de um terço das instituições não possuem a estrutura adequada para recebê-los. No caso dos surdos, há poucos profissionais especializados em Libras, tanto para que eles possam aprender o conteúdo, quanto para ensinar a todos os alunos para promover a comunicação entre eles.
Em virtude disso, os deficientes auditivos ficam cada vez mais excluídos do meio social. Isso porque se inicia na escola um certo preconceito e distanciamento entre os estudantes, de forma que a escola perde o seu papel de inclusão e ensino de respeito às diferenças. Desse modo, o indivíduo tem dificuldade de se relacionar na vida adulta e de entrar no mercado de trabalho, já que segundo dados do Ministério do Trabalho, mais da metade dos deficientes estão desempregados. Embora preocupante, essa situação é mutável.
Percebe-se, portanto, que a falta de inclusão e o preconceito são desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Por isso, o Ministério da Educação pode destinar uma parte dos impostos recolhidos para a contratação de mais profissionais especializados em Libras nas escolas públicas regulares. As instituições, por fim, podem criar um período semanal de jogos e dinâmicas em sala de aula na matéria de sociologia, com o intuito de que todos aprendam não só o idioma de sinais, mas também a conviver com as diferenças.