ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 13/11/2017

Na série “Grey’s Anatomy”, por diversos episódios, é retratada a duríssima realidade de pessoas surdas. Fora da ficção, a questão não é distinta: a falta de inclusão educacional no Brasil é uma problemática que precisa ser urgentemente debatida, já que se vive em uma época globalizada e “civilizada”, mas permeada por preconceitos. Por isso, pode-se afirmar que a estereotipização dos indivíduos junto com a ausência de recursos para que haja a inclusão são os principais fatores de acentuação de tal adversidade.

Decerto, vale salientar que somente no governo de Dom Pedro II, através da criação de uma escola específica, foi possível dar educação a esses indivíduos. Entretanto é bem sabido que, apesar de a Constituição Federal - norma de maior autoridade - garantir, por meio do Artigo 5° que todo ser humano é igual perante a lei, tendo direito à saúde e à educação, o que foge da padronização imposta é considerado inferior - os indígenas, a exemplo, classificavam qualquer tipo de deficiência um castigo e condenavam à morte quem padecesse. Juca Ipirama, poema do autor romantista Gonçavels Dias, mostra de forma clara a visão estereotipizada sobre esses indivíduos -. Dessa maneira, a falta de inclusão é resultado da necessidade de categorização e, consequentemente, padronização dos seres humanos.

Outrossim, o sistema educacional vigente é bastante excludente, visto que, na maioria das vezes, não incentiva - por falta de recursos - a permanência e, quiçá, até mesmo o respeito dos outros alunos perante às diferenças existentes no Brasil. Isso, infelizmente, corrobora com os acréscimos dos muros sociais deste país, além de aumentar, também, os índices tão alarmantes de casos de depressão e, até mesmo, o suicído, trazendo à tona os sentimentos de tristeza extrema vivenciados por Álvares de Azevedo na Segunda Fase do Romantismo.

Então, é evidente que a formação educacional dos surdos é permeada por adversidades. Para combater tal problemática, o Estado, representado pelo MEC, deverá criar centros especializados com o intuito de expandir o respeito às diferenças, por meio de palestras com psicólogos, mas que essas ultrapassem os muros e cheguem às praças, como na antiga Atenas. Espera-se, assim, que o tal João de Santo Cristo, da música Faroeste Caboclo, não precise mais entender discriminação por causa de suas particularidades. Dessa forma, construir-se-á um Brasil mais tolerante.