ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 13/11/2017
Ao descortinar o século XX, a contemporaneidade, marcada pelo advento do viés democrático e globalizado no Brasil, permitiu a consolidação de direitos fundamentais pela Constituição Federal de 1988. Nessa conjuntura, o Estatuto da Pessoa com Deficiência Física legitimou as necessidades especiais dos indivíduos, com a promoção da equidade. No entanto, a paulatina manutenção de fragilidades sociais e estruturais determinou desafios para a formação educacional dos surdos, configurando, assim, um problema no país.
Em primeira análise, é válido ressaltar os obstáculos para o pleno desenvolvimento dos surdos na sociedade. A esse respeito, relaciona-se as mazelas estruturais das escolas e universidades, com a escassez de equipamentos adaptados, defasado suporte profissional para o ensino e o esporte e dificuldades na comunicação entre os alunos e professores, posto que, o sistema de libras não é hegemônico no país. Em corolário a isso, verifica-se prejuízos nas relações interpessoais, com a exclusão social dos surdos no meio acadêmico, além do baixo índice de qualificação profissional e participação no mercado de trabalho.
Na esteira do processo de sustentação dos desafios para a formação dos surdos, alude-se à displicência governamental na cumplicidade da legislação. Isso porque, sendo a realidade um processo histórico, como proferido pelo filósofo Georg Hegel, remete-se às dificuldades e aos rarefeitos esforços para a inclusão dos deficientes. Isso se constata pelo baixo número de escolas inclusivas, centros de esportes especiais e cursos de libras, sendo emblemática a baixa disponibilidade e a falta de estímulo no meio social. Diante disso, a criação da Lei de Cotas para as universidades, de caráter assistencialista, se exalta ao expandir a participação dos surdos em cursos superiores e a busca de ascensão social.
Torna-se evidente, portanto, as barreiras no processo de formação educacional dos surdos no Brasil. Sendo assim, é primordial que as responsabilidades sejam compartilhadas entre o Poder Público, as escolas e a mídia. O governo deve direcionar investimentos na criação de escolas inclusivas, bem como a otimização da estrutura física e de professores especializados em libras nas escolas existentes. Ademais, as escolas precisam realizar eventos esportivos que envolvam os surdos e implementar na carga horária o ensino de libras para todos os alunos. Cabe à mídia o estímulo à inclusão dos surdos na educação, com o engajamento ficcional em novelas e propagandas educativas. A articulação dessa pluralidade é impreterível para o desenvolvimento dos surdos.