ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 13/11/2017
De acordo com Émile Durkheim, a sociedade funciona como um mecanismo biológico, que possui interdependência entre suas partes. Nesse sentido, uma força provoca perversas inversões dessa visão sociológica no Brasil: o preconceito aos deficientes auditivos e suas dificuldades de inserção na ambiência sócio-educacional. Diante disso, é imperioso que essa mazela histórica-social seja atenuada, a fim de assegurar a paz neste tecido biológico, que é a sociedade brasileira.
Em primeiro lugar, o viés historiográfico deve ser evidenciado com uma das origens dessa problemática. Decerto, as heranças culturais do ocidente foram extremamente influenciadas pela Grécia Antiga. Nesse contexto, o tratamento preconceituoso destinado aos cidadãos possuidores de deficiência sonora estendeu-se, hoje, às salas de aula, o que corrobora com a alta taxa de evasão escolar de essa fatia demográfica. Dessa forma, combater a descriminação é uma dos desafios desse problema.
Além desse aspecto, há um outro, no meio coletivo: a visão social determinista sobre a capacidade dos portadores de limitação auditiva. Segundo a filósofa Hannah Arendt, em “A Banalidade do Mal”, o pior mal é aquele visto como algo natural na sociedade. Nessa conjuntura, a concepção social sobre surdos revela uma realidade caótica: pela sua limitação sensorial, deficientes auditivos são estigmatizados e vistos como incapazes de atuação no contexto social, educacional e mercadológico. Embora está percepção seja errada, esse é um cenário urgente de mudança, visto que esse olhar naturalizado propicia a exclusão no meio coletivo, a evasão escolar e, também, a manutenção desse ciclo pessimista, retroalimentado pela não formação educacional desse público.
Por tudo isso, é imprescindível a busca pela amenização desse impasse; a quebra do preconceito histórico e a mudança da mentalidade social. Para tanto, o Ministério da Educação, em parceria das instituições de ensino público-privadas, deve oferecer palestras e seminários educativos ministrados por professores e psicopedagogos, com o fito de instigar, ainda na tenra idade, sentimentos empáticos e solidários para que, com isso, extermine-se a discriminação prestada contra surdos no ambiente escolar. Ademais, ao Poder Judiciário, cabe o endurecer das leis, a fim de que se cumpra a legislação destinada à inclusão educacional de deficientes auditivos. Some-se a isso campanhas educativas feitas pela mídia propagandista, esperando-se a mudança da percepção social acerca do surdo e, assim, a manutenção da paz Durkheimiana.