ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 13/11/2017
As paralimpíadas realizadas na cidade do Rio de Janeiro, em 2016, representaram um exemplo de superação e inserção de pessoas com as mais variadas deficiências no esporte. Infelizmente, a inclusão dessa parcela da população no meio educacional ainda é falha no país, com destaque para os surdos. Dentre os problemas enfrentados por essa minoria, são mais frequentes o baixo índice de capacitação de professores quanto à Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o ainda deficiente aparato tecnológico especializado para esses estudantes, mesmo com a garantia, pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, de tais assistências.
Segundo o princípio do mínimo existencial, direito fundamental diretamente relacionado à Constituição Federal brasileira, é obrigação do Estado garantir a mínima estrutura necessária a todos os seus cidadãos para a manutenção da dignidade da pessoa humana. Porém, o que pode ser observado, é a falta de assistência adequada aos surdos na escola brasileira, contrariando esse princípio. A iniciativa privada no país já desenvolveu aplicativos que permitem a tradução dos movimentos realizados em smartphones, pelo falante de Libras, para o português, por meio de uma voz eletrônica. Tecnologias como essa , que ainda não são encontradas na maioria das escolas brasileiras, facilitariam a comunicação desses estudantes com seus professores e colegas de sala, ampliando, dessa maneira, seu aprendizado e suas interações sociais.
Outro agravante se encontra na baixa capacitação dos professores quanto à Libras. São poucos os profissionais que sabem essa modalidade - que é a segunda língua oficial do país - e, os que aprenderam, normalmente não dominam o suficiente para atender um aluno surdo em suas aulas. Com isso, os índices de evasão escolar dessa minoria no país são significativos, uma vez que esses indivíduos não são incluídos de forma efetiva para desenvolverem plenamente suas habilidades, como garante o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Com base nos argumentos supracitados, conclui-se que é dever do Ministério Educação financiar o desenvolvimento de tecnologias assistivas nas universidades federais do país que permitam melhor aproveitamento e inclusão dos surdos no ambiente escolar, bem como a popularização dos mecanismos já existentes nas escolas de todo o país. Ademais, cabe às secretarias estatuais de educação promoverem cursos de Libras para os professores de todas as matérias dos ensinos fundamental e médio nas capitais e centros regionais de cada estado. As aulas devem suprir a capacitação necessária para que os estudantes surdos possam se comunicar e compreender o conteúdo de todas as matérias de sua grade escolar em sala.