ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 13/11/2017

Na Europa Medieval, pessoas com deficiências física eram consideradas “obras do demônio”, sendo, portanto, excluídas e negligenciada diante dos direitos sociais, como a educação. No Brasil hodierno, não é diferente. Em pleno século XXI, a formação educacional das pessoas surdas é uma problemática que impera no território nacional, sendo a discriminação um ato destrutivo, imoral e inercial que necessita de solução. Nessa conjuntura, há dois empecilhos que potencializam tal problemática: a ineficiência do poder público e a individualidade do ser humano.

É indubitável que a ação estatal esteja entre as principais causas do problema. Isso porque, sob a óptica do autor alemão Joham Goethe, a maior necessidade de um Estado é a de governantes corajosos. Nessa perspectiva, há de salientar a ineficiência do poder público frente à educação dos surdos, uma vez que não está atento às necessidades destes. Determinado fator é visto, por exemplo, na precária infraestrutura de escolas e universidade que carecem de tecnologia necessária para instruir pessoas surdas, além da falta de instrutores especializados na educação destes. Por conseguinte, muitos surdos permanecem à margem de uma educação qualificada.

Outrossim, a individualidade do ser humano corrobora com a problemática. Isso acontece porque, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade vive em uma modernidade líquida, ou seja, as relações sociais tornaram-se completamente fluídas e passageiras. Tomando como norte tal máxima, a discriminação que os surdos sofrem em ambientes escolares é notória, dado que não recebem a atenção necessária por parte da coordenação, que os excluem de atividades físicas, por exemplo. Não é à toa, então, que nos últimos 5 anos o número de matrículas de surdos em escolas públicas e privadas vem caindo exponencialmente.

Infere-se, portanto, que a ineficiência do poder público e a individualidade dos indivíduos são os principais empecilhos para a formação educacional dos surdos. Urge, assim, que o Poder Executivo, em parceria com o Ministério da Educação, invista na tecnologia de ponto, como a adoção de aparelhos eletrônicos que traduzem automaticamente a fala do professor para o dispositivo, a fim de facilitar os estudos dos surdos. Torna-se urgente, também, que a mídia, por meio de campanhas televisivas, novelas e propagandas divulgue acerca da discriminação que as pessoas com deficiência sofrem, bem como elucide a importância do respeito mútuo, com o intuito de extinguir a exclusão social dos surdos.