ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 10/11/2017
O cuidado com o deficiente auditivo remete ao princípio da alteridade, proposto pelo filósofo Emmanuel Levinnás, que pressupõe, principalmente, a capacidade de valorização mútua entre os indivíduos em busca de uma forma mais humana de se viver em comunidade. De fato, a boa convivência no próprio meio é elementar para a construção de uma sociedade igualitária e ética. No entanto, no Brasil, a dificuldade na formação educacional de surdos rompe com essa lógica. Refletir sobre tal processo é uma forma de amenizá-lo, assim como os aspectos socio-culturais que o sustentam.
Paulo Freire, ao afirmar que a “cultura da paz” deve estar presente na rotina escolar, defende o uso do ensino como ferramenta capaz de excluir as injustiças, promovendo a diversidade e combatendo a intolerância. Sem dúvidas, a educação inclusiva potencializa a noção dos surdos como membros de importância social e agentes transformadores de sua realidade. Lamentavelmente, o estereótipo do portador de necessidades especiais como incapaz dificulta esse processo. Brás Cubas, célebre personagem da obra machadiana, ao se afastar de Eugênia pelo fato de ela possuir dificuldades de locomoção, exemplifica como os deficientes, de um modo geral, sofrem com o preconceito.
Contudo, a prática representa o estado anômico da sociedade à medida que destoa da consciência coletiva e rompe com o contrato social tão enaltecido pelos pensadores contratualistas. Ainda que as Leis de Inserção tenham sido um avanço, empecilhos como o pouco conhecimento da Língua Brasileira de Sinais dificultam a comunicação em sala de aula. Ademais, a oferta de classes bilíngues é restrita, por questões financeiras, a certas regiões do território nacional, impedindo que o aprendizado seja feito de forma eficaz.
Logo, o impasse é um obstáculo para que a ética comum seja alcançada. Assim, a educação social, como defende Mário Sérgio Cortela, torna-se pertinente. A criação de plataformas digitais, a exemplo da TV Escola, as quais contem com subsídios do Ministério da Educação, em parceria com estudantes dos cursos de letras, irá auxiliar na aquisição de novos valores e informação. Nesse meio, professores e demais usuários devem ter contato com vídeo-aulas de Libras e documentários que incentivem a valorização do deficiente auditivo. Dessa forma, a equidade idealizada por Levinnás será alcançada.