ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 14/11/2017

Durante muitos séculos, as pessoas portadoras de alguma deficiência não tinham acesso à educação. Com o decorrer dos anos, o ensino sofreu mudanças e passaram a vigorar escolas exclusivas para esses grupos, nomeados especiais. Contudo, apenas no século XXI, o modelo educacional inclusivo predominou, o que gerou progresso na garantia de equidade proposta pela Constituição. Nesse contexto, a formação educacional de surdos no Brasil ainda é um desafio, possível de ser superado, mas que merece maior atenção de instituições sociais e do poder público.

Existe um distanciamento entre a legislação e a realidade. Isso fica claro ao se analisar que em 2002 a Libras foi reconhecida como segunda língua oficial no país, no entanto, mesmo passados 15 anos, esse código ainda não foi difundido por todas as escolas e estabelecimentos, o que mostra o descaso de alguns setores do país.

Nesse contexto, o descompromisso de algumas instituições de ensino em relação às adequações previstas legalmente dificulta a formação profissional dos surdos. Por esse motivo, é essencial a reestruturação das escolas através de reformas estruturais, capacitação de docentes e, acima de tudo, a contratação de intérpretes e psicopedagogos para auxiliar no processo de inclusão.

Por sua vez, a atuação do Estado é ineficaz e não consegue assegurar a educação àqueles com alguma deficiência auditiva. Por isso, é imprescindível que o poder executivo fiscalize melhor as instituições a fim de garantir o cumprimento das leis. Da mesma forma, é importante que os governos estaduais e municipais realizem uma gestão inteligente para destinar as verbas necessárias às reformas de maneira justa.

Portanto, fica claro que a formação educacional dos surdos no Brasil é um desafio que tem solução, desde que o Estado e a sociedade civil somem esforços. Nesse cenário, a sociedade também pode atuar cobrando ações mais enérgicas do governo e por meio da realização de aulas gratuitas de Libras, como já existem em algumas igrejas. Assim, será possível contribuir para a formação do surdo, respeitar e valorizar a diversidade e, principalmente, avançar na equiparação de direitos aos cidadãos brasileiros.