ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 10/11/2017

Um dos caminhos para a maior participação de pessoas com deficiência auditiva no convívio social é o incentivo a formação educacional e, consequentemente, ao ingresso no mercado de trabalho. Porém, a insuficiência na oferta de cursos especializados e de profissionais preparados para transmitir o conhecimento necessário, mostram-se como empecilhos à qualificação desses alunos. Dessa forma, são muitos os deficientes que se deslocam grandes distâncias para encontrar oportunidades de estudo adaptado e, parte das vezes, acabam matriculando-se em cursos não inclusivos

As deficiências físicas e psicosensoriais sempre foram causadoras de intolerância e segregação. Tal afirmativa torna-se facilmente verificável tomando por exemplo a sociedade espartana da antiguidade, na qual as crianças e bebês com problemas no desenvolvimento eram executados, pois não conseguiriam integrar-se ao exercício, o qual caracterizava a base da sociedade militarista e expansionista em vigência. Entretanto, a baixa promoção da inclusão aos meios sociais por deficientes, como os surdos, é um problema que se perpetua na contemporaneidade.

Atrelada aos problemas de caráter estrutural, encontra-se uma importante questão cultural. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman reflete em suas obras sobre a sociedade pós moderna, a qual é marcada pela fluidez nas relações interpessoais e resulta em pessoas individualistas e egoístas. Esse individualismo fomenta o preconceito e gera ambientes hostis de profissionalização e trabalho. O mecanismo derivado das condições expostas pelo pensador é cruel e discriminatório e, assim, causa índices consideráveis de evasão escolar, pedidos de demissão e poucos cargos de maior remuneração ocupados por surdos.

Portanto são necessárias medidas que visem solucionar essa problemática, tais quais a realização de parcerias entre órgãos públicos como o Ministério da Educação e ONG’s, buscando a maior difusão da Libras, principalmente a professores, por meio de forças-tarefa educacionais. Ademais, faz-se necessário a participação de escolas e empresas que promovam o princípio do respeito pautado na cidadania, com a realização de palestras e distribuição de cartilhas educativas, as quais resultariam em melhores relações interpessoais. Dessa maneira, os deficientes auditivos podem obter melhor formação educacional e, diferentemente da antiga Esparta, integrar a sociedade com dignidade.