ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 09/11/2017
Uns mais iguais que os outros
Segundo o IBGE, cerca de 6% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. Contudo, apesar do número expressivo, o país ainda carece de medidas eficientes para a real inclusão dessas pessoas no sistema educacional. Nesse sentido, deve-se salientar que os surdos, por exemplo, enfrentam problemas diários para conseguirem ter acesso à educação no Brasil.
Deve-se alertar, inicialmente, que a capacitação dos profissionais da educação para o atendimento dos surdos é, muitas vezes, deficitária. Assim, na grande maioria das escolas brasileiras, os educadores não tem o conhecimento suficiente da língua brasileira de sinais - LIBRA - necessária à comunicação com os surdos. Com isso, a integração do deficiente à classe não ocorre da forma devida, o que acaba por desestimular a permanência dessas pessoas na instituição de ensino.
Ademais, o próprio modelo de educação brasileiro não é o mais direcionado à inclusão desses surdos no sistema educacional. Ora, o sistema educacional brasileiro é baseado no modelo “bancário” que se baseia na absorção irrefletida de conteúdos. Segundo Paulo Freire, o sistema educacional ideal para a formação crítica do cidadão é o “problematizador”, já que se pauta na tentativa de estimular o raciocínio críticos dos cidadãos e, com isso, buscar formar indivíduos conscientes que saibam conviver com as diferenças.
Percebe-se, por conseguinte, que a formação educacional dos surdos no Brasil precisa de mudanças urgentes. Desse jeito, cabe ao Governo, através do MEC, promover cursos de capacitação continuada para os educadores que trabalham com alunos surdos, além de revisar o modelo de educação adotado no país para que o respeito as diferenças seja estimulado. Afinal, como afirmou Caetano Veloso “… de perto ninguém é ’normal’”.